Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

the old soul girl

the old soul girl

30
Out19

uma experiência triste

girl

Já vos falei daqueles momentos em que, num segundo, a vida como a conhecíamos jamais torna a ser a mesma. Infelizmente, tenho uma coleção de alguns desses, o que significa que a minha vida tem sofrido várias transformações, sem qualquer controlo ou vontade da minha parte. E está tudo bem, a vida é mesmo assim, eu quero é por cá andar muito tempo e honrar a oportunidade de viver.

Mas hoje quero falar-vos de um outro tipo de momentos. Os momentos em que aquelas pessoas que considerávamos heróis e heroínas, como os nossos pais ou avós, mostram ser, afinal, pessoas reais. Que choram, têm medo, fraquejam e erram. Freud falava deste tipo de momentos: é aquela descoberta inevitável de que os que nos protegem são tão falíveis como nós e, quando magoados, também sangram.

Uma das experiências mais tristes da minha vida foi um desses momentos. No dia em que a minha avó materna chorou nos meus braços, encostada a mim e, entre soluços, me disse que só queria ficar connosco. Podem passar-se anos e, entretanto, já se passaram alguns, mas nunca serei capaz de esquecer o sentimento de desespero dela e o meu, ao vê-la naquele estado. Ainda hoje, ao relembrar este acontecimento, torno a sentir tudo que senti naquele dia, à flor da pele, como se estivesse a ocorrer neste preciso instante. Senti-me esmagada pela tristeza da minha avó, aquele ser tão pequeno e vulnerável, nos meus braços, perdida em lágrimas. Os papéis invertidos naquela cama: ela chorava, eu abraçava-a e consolava-a. Ou tentava consolar.

Depois deste, seguiram-se muitos outros momentos em que fui compreendendo como somos todos humanos: avós, pais, filhos, netos. Estamos todos expostos e vulneráveis a esta aventura que é viver. Não houve, no entanto, nenhum momento tão triste como este. Ainda assim, porque tudo tem dois lados, não houve também oportunidade melhor para estreitarmos o laço forte que nos unia e, naquele abraço apertado, dissemos em gestos – ela, na vulnerabilidade, eu, no consolo – o quanto nos amávamos.

9 comentários

Comentar post