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the old soul girl

the old soul girl

18
Nov19

uma esquina marcante

girl

Era quarta-feira, sinónimo de tarde livre que, por sua vez, era sinónimo de namorar. Estava um dia chuvoso, mas não queriam ficar na escola, pelo que se lembraram de ir para um antigo centro comercial da cidade, semi abandonado e apenas ocupado por escritórios. Assim, estariam abrigados da chuva e poderiam namorar sem estarem preocupados com os comentários e partidas dos amigos.
O namoro ainda era recente e eles eram apenas dois jovens adolescentes a experimentar aquela corrente de sentimentos pela primeira vez. Sentiam-se atraídos um pelo outro, comportando-se como dois ímanes que rapidamente se juntam e só com muito esforço se afastam. Perdiam-se em beijos, uns lentos, outros apressados, não sendo capazes de resistir um ao outro. Naquela esquina escura e escondida, entregavam-se aos braços um do outro, envolvidos num abraço quente, sólido e íntimo. Eram dois miúdos a conhecer-se, a descobrirem os seus corpos e o desejo que deles emanava. Não havia qualquer promiscuidade nem segundas intenções. Cada toque dava origem a um mundo de sensações que parecia ultrapassar os cinco sentidos. Comunicavam através da linguagem dos seus corpos, num idioma criado por eles e no qual somente eles eram fluentes.
Naquela tarde, quando regressava a casa, ela apanhou uma molha valente. Mas, curiosamente, não sentiu a chuva na pele, não sentiu o frio provocado pelas roupas encharcadas e pelos fios de cabelo mergulhados em água. Sentia-se tão feliz, tão viva e quente. Foi o caminho todo a sorrir, como se o seu sorriso fosse uma estrada de mil quilómetros, onde se perde o início e o fim. Um sorriso tão brilhante que poderia servir de lanterna na mais escura gruta.
Aquela esquina escondida e escura havia de ficar para ser marcada na sua memória, por ter sido uma das primeiras vezes que ela deixara alguém tocar no seu corpo e, mais profundamente, na sua alma.