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the old soul girl

the old soul girl

19
Nov19

um beijo de amor

girl

Estava uma noite invernosa, com direito a chuva e temperaturas negativas. Ela vestia várias camadas de roupa, perdendo-se no meio de tanto tecido. Por mais que desejasse estar bonita e atraente (e desejava), sabia que estava muito frio e entre ter frio e brio, ela preferia não ter o primeiro. Iria encontrar-se com ele e com o resto do grupo de amigos, afinal era uma noite de festa. Estava ansiosa, sabia que algo ia acontecer, só não sabia como e quando.
Quando se encontraram, pareciam dois miúdos sem jeito. Pareciam não, na verdade, era mesmo isso que eles eram. Dois adolescentes apaixonados e envergonhados perante um sentimento desconhecido até então. Ele puxou-a para ir consigo, afastando-se do grupo e ela foi, dando-lhe a mão pelo meio da confusão. Não fazia ideia para onde a levava, mas não ficou preocupada. Confiava nele, sentia-se segura e, naquele momento, a excitação do que poderia acontecer era tanta que não dava espaço para nenhum receio ou medo.
Chegaram a um parque e começou a chover. Correram para um escorrega para se abrigarem, aninhando-se um no outro. Aquela proximidade toda fê-la sentir vontade de sair das centenas de camadas de roupa que trazia vestidas, tal era o calor que sentia. Ele parecia-lhe nervoso, o que a deixou tranquila, pois sabia que não era a única que antecipava aquele momento. Tornaram a correr para um local maior e mais abrigado, acabando por ficar frente a frente. Naquele momento, ela soube o que iria acontecer e não conseguiu deixar de esboçar um sorriso.
Ele, que quando está nervoso adota uma expressão ainda mais séria do que o habitual, foi ao encontro dela e encostou-a à parede, envolvendo a nunca dela com as suas mãos. Ela sentiu o calor da respiração dele cada vez mais próximo de si, até que fechou os olhos, pois aquela visão era demais para observar. Ela queria sentir aquele momento em pleno e só o poderia fazer entregando-se completamente e abdicando de qualquer tentativa de controlo.
Ele beijou-a. Apressado, sôfrego, como se estivesse à espera daquele momento há muito tempo. Ela retribuiu, a medo, não por não desejar o mesmo, sabe deus a quantidade de vezes que ela já tinha imaginado naquele momento na sua mente, mas por nunca o ter feito antes. Aquele era o seu primeiro beijo. Guardara-o para alguém especial, lutando contra todos os pensamentos mesquinhos que lhe diziam que ela já o devia ter feito há mais tempo e que iria ficar para trás em comparação com as suas amigas. Soube naquele instante que tomara a decisão certa, a de esperar. Porque aquele beijo certamente não fora perfeito, mas tinha sido com a pessoa perfeita.
Será que foi um beijo de amor? Naquela altura, amor parecia um sentimento muito forte e maduro. Paixão talvez fosse a palavra mais acertada. Ou desejo. Mas a verdade é que aquele foi o primeiro de muitos beijos, beijos estes que se, no início não eram, rapidamente se transformaram em beijos de amor. 

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