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the old soul girl

the old soul girl

14
Jan20

the thought train

girl

Como já referi algumas vezes, um dos meus hábitos diários, quase "religioso", é a meditação. Por norma, gosto de meditar de manhã, por um conjunto de razões: preparar-me mentalmente para o dia que se apresenta diante mim, é quando estou mais desperta e menos cansada (não correndo o risco de adormecer), há silêncio absoluto em casa porque sou sempre a primeira a acordar e levantar-me e, talvez o mais importante, coloca-me num estado de tranquilidade e, muitas vezes, bom humor, que são o melhor cartão de visita para dar ao mundo. Uma vez por outra, num dia mais stressante ou quando me sinto muito desperta, medito à noite, numa tentativa de relaxar progressivamente até que o sono acaba sempre por apanhar e não dou pelo fim da meditação. 

Uma das aplicações que utilizo para manter este hábito é a já tão conhecida aplicação Insight Timer. Descobri-a há cerca de 3 anos e desde aí a utilização tem sido quotidiana. Há pouco tempo cometi a "loucura" de me oferecer a mim mesma a subscrição premium, aproveitando o desconto de 50% da black friday. Embora a aplicação tenha a maioria dos conteúdos disponíveis gratuitamente, outros, muito aliciantes (como cursos ou outras ferramentas simples, como poder recuar e avançar na meditação), só estão disponíveis para usuários premium. Assim que passei para esta categoria, aventurei-me nos cursos disponibilizados por inúmeros professores de meditação, psicólogos, monges, enfim toda uma comunidade. 

Estou, neste momento, a acompanhar um curso dado por um psicoterapeuta, em que em cada sessão este recorre a uma metáfora para explorar o modo como nos relacionamos com os outros, com o mundo e, de certo modo, connosco mesmos. Cada meditação é uma maravilha para a alma, seja pela riqueza do conteúdo, seja pela beleza das metáforas utilizadas que, para mim, fazem a diferença na compreensão de muitos temas que, doutra forma, poderiam apenas ser confusos e de difícil apreensão. 

No domingo, fiz uma sessão cujo nome é "thought train", traduzindo, "o comboio do pensamento". Foi, talvez, um dos exercícios mais poderosos que já fiz a nível introspetivo. Basicamente, consiste em compreendermos a nossa mente como uma estação de comboios em que, a cada momento, estão a entrar novos comboios no cais, outros a partir em viagem, num ritmo frenético. Cada comboio representa um pensamento ou uma emoção ou uma sensação física. A nossa mente, no fundo, é este enorme conjunto de pensamentos a toda a velocidade, envolvidos em emoções. Neste exercício, somos convidados a sentar-nos na estação, a observar os comboios que chegam e que partem, isto é, quais os pensamentos em que entramos constantemente (como se fossem comboios dos quais somos passageiros), sem nos darmos conta. Assim que tomamos consciência destes comboios, podemos escolher se nos mantemos a bordo ou se voltamos ao terminal, à estação. Parece um exercício um tanto ou quanto disparatado, foi o que pensei quando comecei a minha visualização. Mas, muito rapidamente, consegui identificar os comboios em que embarco quase sempre, como se tivesse um bilhete vitalício. 

O primeiro que identifiquei foi o comboio "e se...?". As viagens alucinantes que eu faço a bordo deste comboio, os cenários e paisagens incríveis pelos quais passo ...! Se há coisa na qual a minha mente é mestre, é na arte de fantasiar e criar situações surreais. Escusado será dizer que a maioria destas são negativas e se fazem acompanhar por sentimentos de medo e preocupação, deixando a minha barriga num aperto ou às voltas.

O segundo foi o comboio "necessidade de controlo". Cada vez me tenho apercebido mais da minha necessidade, da urgência em saber como e quando é que as coisas vão acontecer. Da urgência em estar preparada, em saber como reagir, em não ser surpreendida. Penso que não é necessário afirmar que este comboio duplicou as suas rotas e viagens depois do que aconteceu cá em casa. As saudades que eu tenho de embarcar no comboio "surpresa" ou no comboio "deixar ir". Quando vivemos com esta necessidade de controlo, não sei, sequer, se estamos realmente a viver. A vida é precisamente o oposto, é incerteza, é descarrilamento. 

O terceiro comboio mais popular é o comboio "medo". Medo do que vai acontecer, medo de como vou reagir, medo do que os outros vão pensar e/ou dizer, medo disto, medo daquilo. Mais uma vez, apercebo-me que este comboio me leva para longe da vida, pelo menos, para longe da vida que pretendo viver e que desejo para mim. Ao longe, vejo o comboio "coragem" e o comboio "esperança" e faço sinal para que abrandem, para que eu ainda me possa juntar à viagem.

Como podem ver, um simples e até estranho exercício tem o poder de nos levar numa viagem pelas terras desconhecidas da nossa psique. Ter consciência e conhecimento de que estes comboios, sempre em movimento, são apenas a mente a funcionar como é suposto e saber que temos o poder de escolher em qual vamos entrar, em qual nos vamos manter, é libertador. Primeiro, significa que não somos o que pensamos, somos a consciência desses pensamentos. E, segundo, por sermos esse ser observador, com poder de escolha, somos nós os decisores dos pensamentos e das emoções que povoam a nossa cabeça e, em modo geral, a nossa vida. Para mim, é aqui que reside a verdadeira e talvez única forma de liberdade: dentro de nós mesmos. 

4 comentários

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    girl 17.01.2020

    Já me fizeste o dia :D Fico tão feliz por saber que a minha partilha levou alguém a descobrir algo novo e do qual gosta. O insight timer é uma aplicação incrível e tenho a certeza que será um bom aliado no teu quotidiano :)
    Quanto às rotinas de meditação, acho que cada um tem as suas e as que lhe fazem mais sentido. Para mim é de manhã, para outros é à noite, para ti é no trabalho, que sei o quão pode ser um local stressante e, portanto, ótimo para meditar.
    Obrigada pela tua partilha!
    Um beijinho e votos de um ótimo fim de semana :)
  • Obrigada pelas tuas palavras. Aproveito para perguntar.. Quem é o autor dessa meditação que referes? Peocurei na app e nao consegui encontrar. Obrigada!
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    girl 08.02.2020

    Chama-se Charles Freligh e o curso é "psycotherapy toolkit: move from fear to fearless" :)
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