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the old soul girl

the old soul girl

23
Mar20

one way or another

girl

Mais do que nunca preciso de manter este emprego, mais do que nunca apetece-me desistir e entregar a minha carta de demissão. Estou numa encruzilhada, onde sei qual é o caminho a seguir, embora não seja o caminho certo. Porque o caminho a seguir é o da responsabilidade e bom senso, de me manter sossegada e focar-me no objetivo mais importante, que é ter dinheiro para pagar todas as contas que vão cair no final deste mês. O caminho a seguir é assegurar que o dinheiro não falta, porque ter um emprego, neste momento, é uma segurança, uma tábua de salvação no meio do oceano e todos sabemos que os próximos tempos serão de tempestade. Mas o caminho certo não é este. O caminho certo é aquele que é percorrido com dignidade, com os valores que me foram transmitidos e com a certeza de que a minha saúde está em primeiro lugar. Porque, neste momento em que me encontro, não posso afirmar estar doente, mas também não estou sana e conheço bem a velocidade com que se entra em espirais de tristeza, cansaço e desespero. Conheço-me bem e sei quando estou à beira daquele que é o meu limite.
Mas também sei que estou numa situação em que não o posso fazer. Uma situação na qual o limite tem de se expandir, tem de ir mais além. Porque preciso, mais do que alguma vez precisei, do dinheiro e da segurança que este emprego do demo me traz. Sinto-me uma hipócrita, sinto que me estou a apunhalar nas próprias costas. E questiono-me até quando vou aguentar. Se serei eu a parar ou o meu corpo a parar por mim. O copo encheu, transbordou e não cabe nem mais uma gotícula. Se até aqui já me sentia desmotivada e num ambiente hostil, os últimos dias mostraram-me que ainda não tinha visto nada. Que o pior ainda estava para vir. E tanto estava para vir, que chegou, instalou-se e eu não sou mais a mesma dentro destas quatro paredes. A diferença é notória, visível, palpável. O meu rosto cansado, a minha falta de energia, o meu sorriso caído.
Gostaria de pensar que estou num dilema, mas na verdade, não estou. O caminho a seguir é muito óbvio e claro. Só espero que, ao percorrê-lo, não me perca.

2 comentários

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    girl 24.03.2020

    V.,
    Comecei o meu dia a ler os teus comentários e já tinha muitas saudades tuas e das palavras, sempre tão sábias, sempre tão calorosas, como se fossem um abraço. Sei que de todas as pessoas que pudessem ler este texto, tu serias a que entenderia a 100% a situação em que me encontro. Porque sei que, não há muito tempo, também tu te viste perante duas estradas completamente opostas e a que percorreste afastou-te de ti, da tua essência. Mas sabes, amiga, esta situação na qual me encontro é daquelas em que é muito difícil ir pela estrada certa, porque neste momento tenho os negócios dos meus pais completamente estagnados, as previsões futuras são tudo menos animadoras e sei que, mais do que nunca, serei eu a andar com o barco para a frente. E não me importa, acredita em mim, não me importo de dar tudo o que tenho para a minha família.
    O problema é que o que estou a entregar é mais do que meros euros. É a minha sanidade mental. Trabalho num sítio onde poderia perfeitamente estar a trabalhar a partir de casa, em teletrabalho, mas por capricho da administração, não me é possível. Todos os dias venho trabalhar com a sensação de corda no pescoço. De que me adianta ter a família em isolamento se eu ando cá fora e quando chego, ao fim do dia, levo comigo todos os bichos, impurezas e bactérias? Como é que eu sei se já não estarei infetada?
    Já sabia que não gostava do sítio onde trabalhava, aliás, foi tema recorrente neste blogue. Mas esta situação ainda me abriu mais os olhos para a realidade de que, para alguns patrões e empresários deste país, a vida dos seus colaboradores não vale mesmo nada. E eu encaixo-me neste grupo, porque sinto que a minha está nas mãos deles e eu não os posso mandar para aquela parte que gostaria porque, mais do que nunca, este emprego é a minha tábua de salvação. A minha e a da minha família.
    Por isso, por muito que me custe, tenho de persistir e continuar. Preciso é de encontrar as estratégias certas para me elevar e deixar que estas coisas me afetem tanto. Porque ainda me sinto muito indignada e revoltada. Preciso de me manter tranquila, porque o stress só me traz complicações, nomeadamente enfraquecimento de sistema imunitário.
    Não estão a ser dias fáceis, amiga. Mas sei que mais tarde olharei precisamente para estes dias como os dias em que me superei, em que fui mais além e descobri forças que não sabia que tinha.
    Obrigada pela tua amizade, pelas tuas palavras tão carinhosas e cheias de preocupação.
    Espero que estejas bem, V., espero mesmo. Que esta pandemia não te atinja, nem aos teus.
    Um beijinho enorme
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