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the old soul girl

the old soul girl

06
Jan20

insights

girl

Vamos no 6º dia de 2020 e sinto que este novo ano já deixou de ser novo, porque o peso dos problemas de sempre não deixa que nenhuma novidade se mantenha por muito tempo. O ano arrancou em força logo no seu segundo dia, com uma bombástica novidade familiar que, novamente, vem por tudo em alvoroço e desafiar todas as certezas construídas até à data. Tudo isto faz retornar medos e angústias, que não estando ainda sarados, regressam com ainda mais força. Mas a vida é mesmo assim, não é verdade? Sempre a abanar as nossas convicções mais certas e a provar-nos que viver um dia de cada vez é mesmo o segredo para um coração tranquilo. 

Sei, de antemão, que 2020 vai ser um ano desafiante. Vai ser o ano das grandes resoluções, sejam aquelas que dependem de mim, sejam aquelas que me são impostas pelos outros. Ainda agora começou e já tive uma quantidade generosa de insights, de súbitas compreensões acerca de questões que me têm andado a moer o juízo. 

Por exemplo, compreendi que, embora goste do trabalho que desempenho, não adoro o que faço. Como já partilhei, a minha profissão insere-se na minha área de formação, mas localiza-se mesmo na fronteira, quase a saltar para outro ramo. Na altura, como precisava mesmo de trabalhar, não pensei duas vezes em mergulhar nesta área, pela riqueza das oportunidades de trabalho, que em tanto contrasta com a pobreza das oportunidades na minha área de formação principal e, essa sim, dona do meu coração. Esta compreensão parece óbvia, mas a novidade, para mim, não foi perceber que não adoro o que faço, foi antes entender que, um dia que abandonar este trabalho, não pretendo seguir esta profissão. No dia em que me libertar, será para me dedicar exclusivamente ao que sempre gostei de fazer e para o qual efetivamente estudei. Esta compreensão fez-me sentir bem comigo mesma, mais leve de certo modo, por me fazer focar, estreitar a minha visão para o futuro. Com a necessidade de começar a trabalhar o quanto antes e, depois, de manter a independência financeira, acabei por negligenciar o quanto gosto da minha verdadeira profissão, como se guardasse este sentimento no meu sótão emocional, numa tentativa de não sofrer por aquilo que não tenho e saber valorizar o que tenho. Faz algum sentido?

Compreendi também, não pela primeira vez, mas da forma mais forte e radical, o quanto preciso de curar as feridas emocionais abertas. 2019 foi um ano de sobrevivência, em que o meu foco foi limpar, da melhor forma que consegui, os estragos criados por outros. Foi um ano de engolir sentimentos, uns atrás dos outros, de viver adormecida, o que me fez tantas vezes questionar se estaria realmente a viver ou simplesmente a existir. Foi o ano das grandes questões existenciais, do tumulto, do medo constante de não estar a aproveitar a vida como ela merece ser celebrada e compreendo, agora, que todos estes pontos de interrogação nasciam desta dormência emocional que, por sua vez, me levou à apatia e falta de vitalidade. Não posso dizer, porque não o sinto, que estive deprimida, mas também não posso negar que, provavelmente, andei lá perto. E ainda não estou bem, pelo contrário, este processo ainda agora começou. Mas como me disse a querida Sweet, somente a perceção desta necessidade de arrumação interna emocional, já é, por si só, um primeiro passo no meu processo de redescoberta. 

Não menos importante, compreendi a necessidade e urgência de movimento. De me mover, de cuidar do meu corpo, de fazer mais coisas que me dão prazer. Dei por mim a sentir vontade de rever os meus filmes preferidos, de ir fazer caminhadas na natureza pelo bem físico e mental que estas fazem ao meu corpo. Talvez por 2019 ter sido um ano de estagnação, 2020 tem tudo a ver com movimento, com fluidez, com retomar o curso natural das coisas, desbloqueando obstáculos e abrindo caminho. 

Como vos digo, 2020 vai ser um ano de emoções fortes. Já está a ser. Mas quando olho, pelo canto do ombro, para 2019, a paisagem desertificada e silenciosa das minhas emoções não é bonita. Pelo contrário, assusta pela ausência de cor, de brilho, de energia, de luz. É preciso rutura para deixar entrar novamente a luz, estou certa disso. E, pela primeira vez em muito tempo, sinto-me capaz de começar a quebrar para me poder reconstruir. 

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