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the old soul girl

the old soul girl

26
Dez19

be here now

girl

E já lá vai o Natal. É sempre assim, uma correria desenfreada, toda uma antecipação e energia que se dissipam num piscar de olhos. Fica um vazio que nos leva a questionar "a sério que já passou?". 

Os dias de férias que tirei foram o verdadeiro presente de natal. Além de me terem permitido curar o corpo, que começa a manifestar por todos os lados que está cansado e a precisar de reforços, permitiram-me descansar a mente. Foram dias passados no sofá, enrolada numa manta e acompanhada com um chá a perder-me em clássicos da Disney, que apenas me fizeram confirmar que os filmes infantis são sempre mais para nós, adultos, do que para as crianças. As saudades que eu tinha de me maravilhar com um filme, de não ter o tempo contado, de me poder dar ao luxo de optar entre ler um livro ou vegetar em frente à televisão. 

Não acordei fora de horas um único dia, porque quando estou de férias, toda uma energia se apodera de mim, como se gritasse "tens de aproveitar cada segundo livre!", e salto da cama cheia de vontade de fazer coisas. Foi o que me aconteceu, por exemplo, ontem de manhã. Tinha-me custado tanto a adormecer, dormi muito pouco, mas eram 7h e pouco da manhã e já estava com as ganas de me levantar e fazer qualquer coisa. O que me vale é que apenas me desloquei da cama para o sofá e perdi-me a ver o Coco, um filme que ainda não tinha tido oportunidade de ver e me fez chorar como já não me lembrava. 

Foram dias que me fizeram pensar na forma como vivemos. Ou melhor, como existimos, porque cada vez compreendo melhor que passamos pela vida e poucos são os momentos em que podemos afirmar com certeza que a vivemos. E desengane-se quem pensa que para viver é preciso fazer um conjunto infinito de coisas e saltar de paraquedas, viajar ou ir a um restaurante novo todas as semanas. Sim, isso são experiências que nos podem fazer sentir vivos e, dessa forma, nos levarem a aproveitar a vida, mas não precisa de ser algo tão excêntrico. Basta estarmos presentes e plenos no que estamos a fazer. Retirar alguma satisfação e prazer. Seja a ver um filme, a ler, a cozinhar, a conversar, o que for. Tudo aquilo que aquecer a nossa alma e nos fizer sorrir, que nos fizer sentir aquela felicidade espontânea de gratidão por estarmos cá, já nos faz viver. 

É preciso aproveitar mais as coisas boas que temos disponíveis, as pessoas que temos em nosso redor, viver com leveza, tentando descomplicar, sobretudo naqueles momentos em que sabemos que temos tendência para nos perder em angústias e preocupações. Este natal foi este o meu exercício: deliciar-me com os pequenos prazeres da vida que tantas vezes sinto como inacessíveis. E o maior prazer é aquele que é vivido com calma, desfrutando sem pressas, sem exigências. Por isso, acho que esta foi a melhor prenda de natal que poderia ter oferecido a mim mesma: estar presente. 

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