Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

the old soul girl

the old soul girl

31
Ago20

#14 Self-care Journal: Brainstorm 10 new exciting ideas you might want to try

girl

1. Aprender a tocar um instrumento (saxofone)
2. Apreder uma língua nova (italiano)
3. Fazer parte de uma associação (por exemplo, clube do livro, voluntariado)
4. Fazer uma viagem intercontinental
5. Ter aulas de dança
6. Fazer uma pós-graduação
7. Fazer uma road-trip (com duração de, pelo menos, 1 mês)
8. Fazer um retiro espiritual
9. Ir a um concerto de música clássica
10. Trabalhar por conta própria

31
Ago20

o teu dia

girl

Avó, hoje farias anos. Onde quer que estejas e passe o tempo que passar, hoje é e sempre será o teu dia.

Tenho saudades tuas. Já aceitei a tua perda, já a chorei e já a encaixei no meu coração. No entanto, nunca deixarei de ter saudades tuas. Far-me-ás sempre falta e o tempo vai passando e vou pensando em ti, em tudo aquilo que já vivemos desde que partiste, tudo aquilo que já se passou. É uma das coisas que mais me faz confusão na perda. Continuamos a viver, o mundo continua a girar, o tempo não para, mas tu já cá não estás. É estranho tudo prosseguir e avançar e tu não fazeres parte.
Hoje é o teu aniversário e gosto de te recordar por tudo o que foste em vida. E que grande vida, avó! Podia passar horas a ouvir-te falar dos teus tempos de miúda, de como era a vida nesses dias, dos momentos de adversidade e prova que atravessaste. Contavas-me essas histórias e eu, ouvindo-te, sentia que as tinha vivido. Imaginava como teriam sido os teus pais, que nunca conheci; que menina e jovem foste; como te apaixonaste; como deste à luz um mão de filhos; como sempre foste uma mulher de garra e coragem. Penso não existir nada que não fosses capaz de alcançar, avó. Pelo menos, sempre foi assim que olhei para ti. Como uma força inquebrável, uma lutadora que não se verga nem desiste face a nenhuma batalha até a guerra se dar por terminada.
Eras sempre mais dos outros do que de ti mesma. É uma característica que corre na nossa família, metade de nós nascemos para ser cuidadores e direcionar as nossas forças e empenhos para os outros. Tu eras assim. Passarias fome se isso assegurasse que os teus teriam comida na mesa. Abdicarias de todo e qualquer conforto por nós todos. E assim o fizeste, muitas vezes, repetidamente.
Sabes, avó, sinto uma pena imensa de te ter perdido tão cedo. Não deveria ter sido assim. Há conquistas, momentos bons e maus, em que eu precisava de ti, aqui, ao meu lado. Em que, acima de tudo, lamento tanto que não estejas cá para ver, sentir, experienciar. É como se faltasse sempre algo e falta. Faltas tu.
Hoje farias anos, avó. Eu telefonar-te-ia e até iria ao teu encontro para te dar um beijo e um abraço apertado. Lembraste daqueles abraços em que me apertavas com força e sentias como o meu corpo se transformava? Nos teus braços eu passei de menina a mulher e tu fazias questão de me dizer. Eu ria-me e dizia-te que tinha mais de ti do que poderias imaginar. Ficaríamos assim, num abraço, contigo a agradecer todo o amor e eu sem jeito e sem forma de te explicar que tu mereces o mundo. Porque mereces, avó. Sempre o mereceste. Deste-me sempre tudo. Se fui uma criança feliz, a ti também te devo. Se hoje sou quem sou, tu também és responsável.
Avó, avó ... quando partiste, as minhas palavras foram contigo. Não me lembro do que te escrevi, mas sei que o fiz com urgência, sei que precisava que levasses contigo tudo aquilo que não tive tempo de te dizer. Avó, conforta-me saber que quando partiste, não estavas só. Estavas rodeada de amor. Nesse dia, ainda antes de saber que tinhas partido, falei de ti. Quando me preparava para entrar em casa, soube, antes de saber, que já não estavas cá. Não encontro lógica para explicar esta sensação, nem me faz falta. Chama-lhe intuição, ligação, o que preferires. Eu soube, antes de saber, que já não estavas connosco. E, mesmo preparada para esse desfecho, doeu como se não existisse preparação alguma no mundo capaz de nos fortalecer para um momento assim.
Parece que foi ontem, parece que foi há muito tempo. As saudades, essas malditas, conserva-as o tempo. E comigo vive a promessa de que enquanto viveres dentro de mim, e sempre viverás, és eterna. Por isso, parabéns avó. 

28
Ago20

todas as coisas maravilhosas #21

girl

Hoje vou deixar o desafio de lado e vou apenas escrever o que me vai na alma. Uma das coisas que gosto de fazer é perder-me a ler blogs. Nem sempre comento, mas leio muitos posts de variados blogs deste mundo sapo. Gosto de ir ao separador "últimos posts" e explorar. Acabo sempre por ir ter a bom porto e descobrir alguém cujas palavras me envolvem, emocionam ou inspiram. Hoje aconteceu novamente. Dei por mim a ler o blog do início ao fim e a vontade de comentar foi mais forte. E fiquei a pensar naquela pessoa, nas suas palavras, na sua realidade que pude conhecer a partir da sua escrita. Fiquei a pensar na forma como, muitas vezes, leio os vossos textos e gostaria apenas de vos dar um abraço, nos momentos difíceis, ou de me rir com vocês, nos momentos alegres e de boa disposição. Nem sempre consigo encontrar as palavras acertadas quando comento e, por isso mesmo, muitas vezes desisto de deixar qualquer comentário. Porque o que eu queria mesmo era expressar-vos o que vai dentro de mim quando vos leio. E é tanto e é tão difícil fazê-lo. 

Isso deixou-me a pensar como esta comunidade, que apenas se conhece pelas palavras, se consegue entre-ajudar e saber tanto ou mais do que pessoas com quem convivemos todos os dias, frente a frente, olhos nos olhos. É maravilhoso como um simples comentário pode aligeirar uma dor, tornar um fardo um bocadinho mais suportável ou até resolver um problema identificado. Depositamos nas nossas palavras tudo o que trazemos dentro de nós e que não conseguimos, muitas vezes, dizer a quem nos rodeia. E somos acolhidos quase sempre que o fazemos.

Fico maravilhada com este universo. Já li e, por isso, conheci por aqui tantas pessoas de bem, fortes, guerreiras, com histórias de vida inspiradoras, com o coração e a cabeça no sítio certo. É, sem qualquer dúvida, uma coisa maravilhosa. 

27
Ago20

#13 Self-care Journal: Write a list of your top 10 most exciting moments in your life.

girl

Ando a procrastinar esta resposta, porque acho muito difícil escrever sobre os dez momentos mais entusiasmantes da minha vida. Por um lado, parece-me que não existe nada digno de entrar neste top 10, o que me faz sentir mesmo desinteressante. Por outro, acho que existem tantos momentos que já vivi com euforia e excitação que não sei como escolher apenas 10. Ando a arrastar esta lista, todos os dias tento acrescentar mais um momento que me marcou pela forma entusiástica como o vivi, mas confesso-vos que é um exercício exigente. Tentem fazer apenas este desafio dos 100 que são propostos e depois digam-me o que acharam. 

Ora bem, vamos lá falar dos dez momentos mais entusiasmantes da minha vidinha, que já conta com um quarto de século:

1. Quando me apaixonei pelo meu amor
Não foi um momento, é certo, foram vários. Apaixonei-me sem me aperceber, deixei-me levar e nunca esquecerei o dia em tomei consciência da dimensão dos meus sentimentos. Foi como se a terra estremecesse, mas apenas no metro quadrado que eu ocupava; somente eu senti os efeitos avassaladores daquela queda na realidade. Passou-se uma década e ainda sorrio quando ouço a For Once in My Life do Stevie Wonder. Naquele dia, com um sorriso do tamanho do mundo, foi isso mesmo que senti: for once in my life I have someone who needs me, (...) for once unafraid I can go where life leads me.

2. Sempre que viajamos juntos
Pensei referir a primeira vez que viajamos juntos, mas não seria justo, porque a verdade é que todas as viagens que fazemos, por muito curtas e singelas que sejam, têm entrada direta para o meu álbum de recordações favoritas de todo o sempre. Adoro quando nos perdemos num lugar novo, à descoberta, a absorver e partilhar tudo um com o outro. Quando éramos mais novos, sempre que embarcávamos numa viagem, eu sentia que te roubava do mundo e te tinha só para mim o tempo todo. Adoro descobrir tudo contigo, és e sempre serás o melhor companheiro de viagem. Mesmo nas viagens quotidianas para o trabalho e do trabalho para casa. Contigo, tudo é uma aventura. 

3. 10 de Julho de 2016 
Será sempre um dos momentos mais felizes que já vivi. Estava com os meus amigos, foi a euforia das euforias: Portugal sagra-se campeão europeu! Começamos todos aos saltos, aos abraços, saímos disparados para a rua festejar, a alegria não cabia dentro de nós. Foi daqueles momentos em que olhei em meu redor e senti que seria uma daquelas memórias épicas que irei contar aos meus (futuros) filhos. 

4. A faculdade
Eu sei que estou a ser a maior batoteira neste desafio, mas não consigo selecionar apenas um momento entusiasmante. Sobretudo no que diz respeito à minha experiência universitária. Não fiz parte da praxe, não fui a festas académicas, não tive a experiência que é habitualmente associada à faculdade. Mas fui imensamente feliz nos anos em que lá andei. Foi a oportunidade de viver sozinha pela primeira vez, a responsabilidade de estar por minha conta e ter, pela primeira vez, a liberdade de fazer as coisas à minha maneira; foi ter escolhido a área certa, mesmo tendo sido uma escolha completamente às cegas; foram os amigos que lá fiz, a família que construí e que trago comigo para toda a vida; foi, acima de tudo, a sensação de estar no sítio certo, no lugar onde pertencia. Foram anos de desafios, de aprendizagens, de sentir que o esforço e empenho, a somar à paixão, se refletiam nos resultados obtidos. Cresci muito naqueles cinco anos, conheci pessoas incríveis que me inspiraram a ser não só uma boa profissional, mas uma melhor pessoa. 

5. O dia em que passei no exame de condução
Eu fui para o exame de condução com a certeza de que iria chumbar. Era um dado adquirido. Apenas tinha um objetivo: não chumbar de imediato no centro de exames, ao deixar o carro ir abaixo três vezes seguidas. Eu estava tão certa que ia falhar, que acabei por passar. Lembro-me de que a certeza do falhanço me libertou do medo de realmente falhar. Então, como estava sem esse peso, aproveitei o momento e desfrutei, conduzi com prazer e gosto. Nesse dia percebi como o medo de falhar pode paralisar uma pessoa e a falta dele permite que o verdadeiro potencial se evidencie. Porque eu fui convicta de que era um chumbo imediato, o meu colega foi convencido que ia ensinar o engenheiro a conduzir. Ele estava nervoso porque sabia que tinha de fazer boa figura, tinha de fazer uma figura que correspondesse ao que realmente ele sabia conduzir. Já eu, que sabia que era péssima (ou achava que era), convenci-me de que já estava derrotada e vencida, não tinha nada a provar. Quando percebi que tinha passado, sem erros graves e perigosos, fiquei em êxtase. E acreditei, pela primeira vez, na sorte. Porque ainda demorei muito tempo a acreditar que não fora apenas sorte, mas também alguma competência da minha parte.

6. Concerto de Jazz com a minha mãe

Este aconteceu no ano passado, em pleno inverno, numa das salas de teatro mais bonitas do nosso país. Como companhia levei a minha mãe, que ia cheia de medo de achar o concerto entediante e ter de o suportar até ao fim. Eu ia com a certeza de que seria incrível e saí de lá dececionada, porque o concerto conseguiu ser ainda mais magnífico do que eu já suspeitava que seria. Quando me lembro daquele momento, arrepio-me pela forma como a minha memória se mantém intacta, preservando todas as emoções e sensações que experienciei. Foi um daqueles momentos na vida em que nos sentimos tão vivos e, simultaneamente, tão gratos por cá estarmos e podermos usufruir de algo tão belo como é a música. Além disso, foi um momento que partilhei com a minha mãe e fez-me tão feliz vê-la a desfrutar e a maravilhar-se. Foi uma felicidade multiplicada, que tornou tudo ainda mais perfeito.

7. A última grande viagem em família

Sim, fiquei doente, arrestei-me durante dias para acompanhar os meus pais e a minha irmã, mas foi a nossa última grande viagem enquanto família de quatro. Foi aquela viagem em que usufruímos sem olhar a nada, em que fomos só nós numa cidade completamente desconhecida e fomos nós mesmos, com tudo que isso inclui. Rimo-nos, vimos um dos espetáculos mais incríveis de sempre, passeamos, mimamo-nos. Na altura já me tinha parecido bom, mas agora ao olhar para trás ainda consigo dar mais valor àqueles dias que passamos os quatro. Depois dessas férias fizemos outras, mas nenhuma foi tão especial como essa. 

8. As noites passadas na casa da minha avó

Por mais lugares que descubra, concertos que assista e experiências que viva, vai sempre existir um cantinho especial, ao estilo catedrático, para as noites em que dormia na casa da minha avó. Eu sentia um entusiasmo tão grande sempre que me era permitido ir dormir com a minha avó, que cada vez que ia me sabia à primeira, mesmo já tendo ido centenas de vezes. Sentia-me sempre tão feliz de saber que ia dormir naquela cama gigante, quentinha, com a minha avó a abraçar-me; que ia comer a melhor das melhores das refeições, aquele bife tenrinho, cheio de batatas fritas e ovo estrelado por cima; que ia ver desenhos animados uns atrás dos outros, apenas sendo interrompida para lanchar aquelas torradinhas barradas a manteiga e o leite achocolatado, que era mais chocolate que leite; que ia tomar longos banhos de espuma; que ia acordar naquele quarto tão acolhedor e familiar, o da minha avó. Não, não há experiência que apague este entusiasmo inocente e infantil que eu sentia sempre que estava na casa da minha avó.  

9. Os passeios de canoa com a minha irmã e o meu pai

Era tão divertido enfiar-me numa canoa com o meu pai e a minha irmã, determinados a desbravar o rio e chegar o mais longe possível. A natureza, as gargalhadas, o cansaço do meu pai que, a dado momento, já remava pelos três, o encostar da canoa em terra para descansar e usufruir das praias desertas, o sol a queimar a pele com o contraste da água fresca e fria. Com o tempo fomos deixando de fazer coisas em conjunto e de passarmos tempo juntos. Apareceram os namorados e amigos, a escola, a falta de tempo e a distância acabou por se impor. Mas tenho saudades destes planos aventureiros que fazíamos. 

10. O Natal

Para fechar em grande, só poderia escrever acerca do Natal. Não de um em específico, mas de todos, os passados e aqueles que o futuro me reservar. O Natal é a minha época favorita do ano, é sinónimo de casa cheia, de partilha, de amor, de convívio, de contrastar o frio das rua com o calor da casa quente e acolhedora. Mesmo com a família desmembrada, o Natal não perde a sua magia e eu pareço sempre uma criança pequena, maravilhada com tudo. 

24
Ago20

#12 Self-care Journal: Describe the perfect smorgasbord.

girl

Eu não sei quanto a vocês, mas eu nunca tinha lido esta palavra na vida. Smorgasbord é uma refeição com vários pratos,  quentes e frios, servida ao estilo buffet.  Posto isto, coloquem a babete porque o que se segue são as iguarias que mais me deliciam. Não que me imagine a come-las todas à mesma refeição, mas se chegasse a um restaurante buffet eram estes os pratos que gostaria de encontrar à minha disposição:

  • Cogumelos com castanhas (sim, parece estranho, mas é a combinação mais genial que já provei na vida!)
  • Cogumelos, de diferentes variedades, salteados 
  • Cogumelos com queijo (acho que começam a perceber que tenho um certo fascínio por fungos)
  • Queijos (com preferência para mozarella buffala e gouda)
  • Vegetais (palitinhos de cenoura crua, tomate cherry - não me digam que o tomate é um fruto!, alface, pepino, pimentos vermelhos, espargos!)
  • Batata doce (em puré, frita, assada, de todos os modos!)
  • Batatas fritas (de pacote, sem ser esquisita!) 
  • Marisco
  • Crepes chineses (com legumes, de preferência)
  • Sushi (só não gosto daquelas peças com fruta - fruta é só depois da refeição e não na refeição)
  • Francesinha
  • Massa (imaginem aquelas massas italianas, divinais)
  • Risotto (de camarão, de coguemelos, ...)
  • Pizza (sem ananás, como é claro!)
  • Grelhados (costelinha, frango, picanha, ...)

E acho que já chega. Só escrever isto já me abriu o apetite. 

24
Ago20

#11 Self-care Journal: Journal what you love most about your closest friend or family member.

girl

Para responder a este desafio, a primeira pessoa que me veio à mente foi a minha irmã. Escolher uma entre milhares de características da minha irmã que eu adoro é ingrato, mas não é difícil. O riso dela e o sentido de humor que partilhamos. A minha irmã é, muitas vezes, a única pessoa que se ri das mesmas coisas que eu. É a única que vai às lágrimas, de tanto rir, comigo, porque achamos piada às mesmíssimas coisas. Eu adoro esses momentos em que achamos que encontramos uma coisa hilariante, em que nos rimos como umas perdidas, e quando partilhamos com alguém, a reação não acompanha a nossa. É como se este sentido piadético fosse uma coisa só nossa, uma linguagem que somente nós partilhamos e eu adoro isso nela. 

19
Ago20

vulnerabilidade

girl

“Vulnerability is the birthplace of love, belonging, joy, courage, empathy, and creativity. It is the source of hope, empathy, accountability, and authenticity. If we want greater clarity in our purpose or deeper and more meaningful spiritual lives, vulnerability is the path.” - Brené Brown

A meditação de hoje foi sobre vulnerabilidade como forma de autocuidado. Ser vulnerável é uma das missões impossíveis na minha vida. Sabem aquele conjunto de crenças parvas que carregam convosco, mesmo tendo a perfeita noção de que não vos servem de forma alguma, apenas vos pesam? É como eu me sinto em relação a ser vulnerável. Não me permito sê-lo, embora conviva com conforto e tranquilidade com a vulnerabilidade dos outros. Faz algum sentido? Eu sei: nenhum

Com esta meditação, fui levada a refletir acerca do significado que atribuo a ser vulnerável e o que me impede de o ser. O que procuro evitar quando escondo dos outros as minhas angústias, ansiedades e medos? O que diz isso acerca de mim?

Para mim, ser vulnerável é sermos capazes de dizer, sem medos, o que vai dentro de nós, sobretudo quando são coisas menos boas ou difíceis. É uma nudez emocional, é sermos quem somos por inteiro, sem recear o que os outros vão pensar ou se vão gostar de nós. É abrir as portas da nossa alma e convidar os outros a conhecer os nossos recônditos, sobretudo os mais obscuros. É ser visto e estar confortável debaixo da luz dessa atenção. É assumir que não somos perfeitos e inquebráveis. Um assumir que não é lógico, porque cognitivamente todos sabemos que não somos perfeitos; mas emocionalmente, nem sempre compreendemos que essa perfeição é impossível. Digo, muitas vezes, que o meu coração e a minha cabeça tem de andar a ritmos semelhantes para as coisas me fazerem sentido. O que entendo com a mente, nem sempre aceito no coração. 

Então, porque me custa tanto deixar-me ser vista pelos outros? Acho que não me sinto confortável com a atenção. Não gosto de ser notada, nunca gostei. Sempre me senti muito envergonhada quando, de repente, os olhos se voltam para mim e todos esperam algo de mim. Mas acho que também receio mostrar-me ao mundo, tal como sou, e a reação ser negativa. Tenho medo de não ser aceite pelo que sou, embora saiba que ser aceite por algo que não sou não tem qualquer valor. É como se o meu núcleo central fosse tão precioso para mim, tão frágil, que tenho receio do que possa acontecer se o trouxer à luz para todos verem. 

Ser vulnerável implica ser capaz de pedir ajuda quando precisamos. Não é uma questão de "se precisarmos", é mesmo "quando", porque todos precisamos uns dos outros, nem que seja num momento da nossa vida. Nem sempre tive dificuldade em desabafar, até era algo que quando era mais nova fazia sem esforço. Mas à medida que fui crescendo, as defesas e resistências foram crescendo, comecei a sentir que não valia a pena estar a partilhar as minhas coisas com o mundo. Para quê? Vou chatear alguém e vou chatear-me a mim mesma, por ter de estar a repetir o que já sei. Mas depois, quando, esporadicamente, o faço com alguém próximo, parece que não sei falar, porque não falo, despejo informação. Começando a falar, não consigo parar a torrente de emoções e pensamentos e ideias que tenho. Nesses momentos, apercebo-me que tenho mais necessidade de me abrir com os outros do que quero assumir. Acima de tudo, tomo consciência do bem e da falta que tal me faz.

Olho para a minha situação familiar. Estamos a viver este drama há dois anos. Sabem a quantas pessoas fui capaz de contar o que se passa na minha vida? Apenas a uma. O meu namorado não conta, porque não precisei de lhe dizer nada, ele esteve sempre lá, desde o começo, assistiu a tudo sem precisar que eu o pusesse a par de alguma coisa. Apenas fui capaz de contar a minha história a uma pessoa. Não tenho mais pessoas na minha vida confiáveis, com quem poderia partilhar? Tenho. Lembro-me, de imediato, de mais três ou quatro pessoas a quem gostaria de contar. Mas não o consigo fazer. Não consigo correr o risco. Como é que começaria? E porquê agora? Passados dois anos? Como é que lidaria com a sua abordagem ao meu problema? Sinto vergonha. Uma vergonha que me paraliza, que me faz querer esconder e não ser vista. Para mim, a dificuldade de ser vulnerável é mesmo essa: ser vista. 

Mas o que temo que os outros vejam? Porque é que é tão fácil para mim ajudar alguém, mas tão difícil pedir ajuda quando sou eu que estou a necessitar? Porque é que eu sei que ser vulnerável não tem nada a ver com ser fraco mas, quando penso sê-lo, sinto-o como fraqueza? Porque é que tenho tanto receio de me mostrar ao mundo, mas gosto tanto quando vejo outras pessoas fazê-lo, sem amarras? 

Sei que perco muito quando me fecho na minha prisão interior. A vulnerabilidade é o caminho. É a irmã gémea da autenticidade e da verdade. Lembro-me muitas vezes de um episódio sobre o qual já escrevi, em que desabei num choro incontrolável, num grupo que esperava ouvir a minha resposta. Aquele dia, em que nenhuma defesa estava activa, foi o dia chave para fechar o luto da minha avó. Só foi possível concluir esse capítulo e integrar essa experiência quando libertei com a carga emocional que trazia comigo. Porque os significados, as reformulações, os pensamentos já estavam todos alinhados, mas faltava-me a expressão emocional. Em palavras simples: faltava-me chorar e sentir aquela dor toda. Aquele momento de vulnerabilidade, ainda hoje quando penso nele, me arrepia. Não era eu ali e, ao mesmo tempo, estava ali tudo que sou. Só ganhei com aquela experiência e, mesmo assim, não consegui ainda ser capaz de tornar a repetir. 

É por isso que esta é a minha missão impossível. Não é impossível, na verdade, mas é a minha missão. É o meu desafio. E mexe com muitas outras variáveis que só começo agora a conhecer e combinar. Mas o caminho é por aqui. 

19
Ago20

Apesar de tudo ...

girl

Ontem, quando já tinha desligado a luz e me preparava para adormecer, recebi uma mensagem do meu pai a desejar-me boa noite. Todas as noites, desde que saiu oficialmente de casa, me envia uma mensagem de boas noites, com direito a coração. E todas as noites eu olho para aquela mensagem e penso "apesar de tudo ...". 

Apesar de não sermos mais a família que eu tanto adorava e que desejaria que para sempre fossemos, continuo a ter o amor incondicional e presente dos meus pais. Cada um deles, à sua maneira, continua a ser uma fonte de amor, segurança e conforto. Perdi uma família, mas não perdi os meus pais. Eles, sobretudo a minha mãe, perderam muito mais do que eu. Eu perdi uma estrutura e uma configuração, mas permaneceram os laços, o amor continua ali, disponível para mim. 

Apesar de não vivermos juntos, continuo a ver o meu pai todos os dias. Ele faz questão de me ligar de manhã a desejar um bom dia e todas as noites me embala com uma mensagem. Talvez até o sinta mais presente agora do que quando morávamos debaixo do mesmo tecto e praticávamos horários e rotinas tão diferentes que, muitas vezes, só o ouvia chegar e isso era tudo que sabia dele. 

Apesar de tudo o que nos aconteceu, sobrevivemos e estamos a começar a aprender a viver. Percebemos que nos momentos difíceis, as pessoas fogem-nos. Se há coisa que esta experiência me ensinou foi que as pessoas têm muita dificuldade em lidar com as dores alheias. Talvez por não saberem o que dizer e como agir, optam por se afastar, acreditando que as coisas, com o seu tempo, encontrarão o seu rumo. É verdade, o tempo ajuda a sarar algumas feridas, mas há muito trabalho que temos de ser nós mesmos a fazer. Por vezes, fraquejámos e precisamos que alguém nos incentive a regressar ao caminho. Ainda não entenderam que, muitas vezes, não queremos respostas para as questões que levantamos. Apenas queremos que nos ouçam e entendam a inquietação que se esconde nas entrelinhas das nossas perguntas retóricas. É nestes momentos que conhecemos as pessoas com quem podemos contar. Percebi que estávamos muito sozinhos, mas que, na verdade, não são precisos muitos, desde que os poucos sejam bons. 

Apesar de tudo, e de esta situação nunca ser desejada, podemos ser felizes. Apesar de tudo que nos foi roubado, há tanto que ainda temos. 

18
Ago20

#9 Self-care Journal: If you could act in any movie, what character would you like to play and why?

girl

Celine do Before Sunrise (e também Before Sunset e Before Midnight)

When you talked earlier about after a few years how a couple would begin to hate each other by anticipating their reactions or getting tired of their mannerisms-I think it would be the opposite for me. I think I can really fall in love when I know everything about someone-the way he's going to part his hair, which shirt he's going to wear that day, knowing the exact story he'd tell in a given situation. I'm sure that's when I know I'm really in love.

Esta trilogia - Before Sunrise, Before Sunset e Before Midnight - está no meu pedestal de melhores filmes de sempre, ocupando um lugar generoso no meu coração. Assim que li a pergunta, soube de imediato que gostaria de estar no papel de Celine. Não no sentido de representar este papel, mas de o experienciar verdadeiramente. Adoraria viver uma aventura como Celine e Jesse que, sendo perfeitos desconhecidos, decidem ir explorar Viena juntos até o próximo comboio do dia seguinte os levar a destinos diferentes. Adoraria perder-me pelas ruas de Viena e perder-me, de igual modo, na viagem que é conhecer alguém do qual não sabemos rigorosamente nada e, ainda assim, ficar a conhece-lo melhor do que tanta gente que faz parte da sua vida há tanto tempo. Adoraria correr riscos e aventurar-me mais vezes, dar mais saltos de fé no vazio, sem pensar tanto nas consequências. Adoraria perder-me em conversas como Celine e Jesse, acerca da vida, do amor, da morte, dos sonhos e das desilusões. Adoraria ter tempo para poder fazer tudo isto, sem pressas. Adoraria parar mais vezes e olhar com mais atenção para tudo que me rodeia. 

If there's any kind of magic in this world... it must be in the attempt of understanding someone, sharing something. I know it's almost impossible to succeed... but who cares, really? The answer must be in the attempt.

Pág. 1/2