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the old soul girl

the old soul girl

13
Dez19

guns and fucking roses!

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Eu ia começar a escrever um texto no preciso momento em que vejo a seguinte notícia e, de repente, estou de regresso à minha adolescência e todo o meu corpo vibra de entusiasmo! E perdeu-se qualquer lógica e sentido, estou entregue às minhas emoções adolescentes e tudo o resto é conversa. 

E ainda dizem que as sextas-feiras 13 são dias de azar!!!

 

12
Dez19

it's time

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Na última sexta-feira, tive um jantar de natal com as pessoas do meu trabalho que já ultrapassaram há muito tempo a categoria de colegas e estão instalados no grupo dos amigos. Uma mesa grande, redonda, cheia de risadas e conversas, onde coubemos todos e todos aqueles que nos são queridos. 

Como não podia deixar de ser (infelizmente), falamos muito do trabalho. Queixamo-nos, tecemos autênticas teias de críticas e sátiras a tudo o que vemos de mal na empresa onde trabalhamos e fartamo-nos de rir da nossa desgraça que, quando estamos todos juntos, não parece tão má como na verdade é. A dada altura, um dos convidados que não trabalha connosco, diz abertamente e com um sorriso no rosto que adora o seu trabalho. De repente, vários pares de olhos se focaram nele, uns de surpresa, outros de inveja e alguns de curiosidade. Como é possível existir alguém que gosta do seu trabalho?

A verdade é que não só existe uma pessoa como existem várias que, para nosso infeliz espanto, gostam daquilo que fazem e gostam do seu emprego. Alguns ainda disseram "ah, mas eu gosto do que faço, só não gosto do sítio onde o faço", tentando explicar que o problema não está na função em si, mas no ambiente onde esta decorre. 

Eu fui para a casa a pensar naquelas palavras. "Adoro aquilo que faço!". O entusiasmo, a descontração, a alegria que surgia associada ao pensamento de trabalho. Fogo, pensei eu, também quero sentir isto!  Quero encontrar esta satisfação, este sentimento de realização que transforma uma obrigação diária num desafio, numa corrida com gosto que cansa, mas cujo cansaço sabe a pouco quando comparado com o prazer sentido.

Fiquei a matutar na fórmula mágica para encontrar o pote de ouro no fundo do arco-íris e os primeiros ingredientes que surgiram na minha mente foram planeamento e coragem.

Planear a mudança é quase tão importante como a colocar em prática. Conhecendo-me como conheço, sei que jamais darei um passo em falso sem saber de antemão que chão tenho diante dos pés. Mudar de empresa, de emprego, o que for, requer planeamento, pensar em todas as possibilidades, vantagens e desvantagens, estudar meios para atingir fins. Por exemplo, estar na atual empresa, mas começar a enviar currículos para outras, ir a entrevistas, sinalizar-me no mercado de trabalho. Ou conciliar o meu atual emprego com o meu emprego de sonho, em modo part-time, de forma a que este segundo se vá tornando cada vez mais viável e sustentável ao ponto que me permita abdicar do primeiro e ser feliz a fazer o que gosto. 

Mas por mais que se planeie, um plano só ganha vida quando passamos da ideia à ação. Não adianta ter o plano todo traçado, a rota definida e, depois, não iniciar viagem. Para começar é preciso ter coragem. Atenção: não se trata de não ter medo. Trata-se de não deixarmos que o medo, elemento normal perante a mudança, nos impeça de avançar e conquistar a montanha dos nossos sonhos. Ser corajoso implica abrir mão de alguma dose de controlo e ser capaz de enfrentar o desconhecido. No meu caso, implica enfrentar as areias movediças dos meus pensamentos negativos, que gostam de me mostrar todos os cenários negativos possíveis e de me colocar a pensar numa série de questões que variam entre "e se eu falhar?" e "e se eu estrago tudo?". 

O ano está a chegar ao fim e eu sinto que em 2020 um dos meus objetivos principais passa pela minha vida profissional. Como sou uma pessoa cautelosa e muito conscienciosa, nestes primeiros dois anos após a faculdade a minha prioridade assentou sempre em adquirir experiência e juntar dinheiro. Não me preocupei com o esforço despendido, com a exigência da tarefa, com o gostar ou não do que estava a fazer. O meu foco foi sempre trabalhar, sem olhar a prazer nem vontades. E confesso que resultou bem até chegar ao momento em que senti que, no lugar onde estou, não há grande margem de evolução nem de aprendizagem. Sinto que o meu percurso neste lugar alcançou o patamar do conforto: sinto-me segura na minha função e nas responsabilidades que me são atribuídas, estou integrada e sinto-me em casa. E isso é ótimo, por um lado, mas não posso ser hipócrita comigo mesma: é o caminho do conforto e da facilidade. Quero algo que me apaixone, que me desafie um pouco mais. E, acima de tudo, quero paz de espírito. Não quero passar os meus dias a sentir as contrações na barriga, a respiração presa, o ter de pensar mil vezes antes de falar e ter de ser uma pessoa que não sou. 

Sinto que está a chegar a fase em que preciso de aplicar as minhas paixões ao lado profissional da minha vida. Tirar mais proveito do que gosto de fazer e, com isso, ter sustentabilidade económica. Quero ter uma vida confortável, claro que quero, todos queremos. Mas até ao momento, sei que apenas vivemos uma vez e não quero sentir que ando a desperdiçar tempo. Porque, infelizmente, é o que tenho sentido nos últimos tempos, que ando a deitar fora a dádiva que é o tempo e que não há forma nenhuma de o comprar ou recuperar. 

Vou estar sempre grata por este trabalho, sobretudo pelas tais pessoas a quem hoje chamo amigas e sei que o continuarão a ser para sempre. Mas passados dois anos e tendo cada vez mais presente a ideia de que o amanhã não nos é garantido, começo a pensar na vida de forma diferente. Mais radical, mais solta, mais leve. Quero tanto honrar a oportunidade que é viver cada dia mais um dia. Quero tanto que, quando o fim chegar, haja um sentimento de que aproveitei e fui feliz. Está na hora de começar a desenhar o plano e, acima de tudo, reunir a coragem de o por em ação. Está na hora.

 

10
Dez19

saudade

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Depois de alguns dias desaparecida do meu cantinho e sem possibilidade de escrever, confesso que não sei por onde começar. Já escrevi e apaguei tudo uma data de vezes e, com isso, só consegui aumentar a minha frustração. Às vezes é mesmo esta sensação que me impede de começar novos desafios: quero que tudo saia bem à primeira. 

Por isso, vou apenas escrever aquilo que sinto neste momento, sem me alongar muito: tenho saudades de escrever e de arrumar todas as ideias dispersas que tenho na minha cabeça. Estes dias de ausência têm sido passados a enumerar no meu bloco de notas mental tudo aquilo sobre o que quero escrever. Há muitas ideias que quero aprofundar, coisas que me andam a incomodar e preciso de libertar. 

Mas hoje vou apenas escrever que sinto saudades de cá vir e de me perder nas palavras. Porque quando me perco, é quando me encontro verdadeiramente. 

05
Dez19

Praise the lord, Aleluia!

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Há verdades universais e irrefutáveis nesta vida. Não são muitas, é certo, mas uma delas prende-se com o poder da música. A capacidade rara e quase excecional que a música tem de nos fazer desenrolar um novelo variado de emoções, de nos transportar para o passado ou fazer sonhar com o futuro, de simplesmente mudar a nossa disposição e, com isso, mudar todo o nosso dia.
Ontem foi precisamente isso que me aconteceu. Acordei carrancuda, chateada com a vida. Não vos sei dizer o motivo, talvez até fosse mais do que um, mas sei que estava sem paciência e sentia-me completamente desligada de tudo. Cansada, como tem sido recorrente, de ouvir os problemas dos outros, cansada demais para fingir que está tudo bem. Acontece que ontem era o concerto dos Harlem Gospel Choir e, independentemente da minha vontade, lá fui, sem grande expectativa, ainda que fosse uma daquelas coisas que já desejava fazer há séculos e nunca tinha tido oportunidade para tal.
E aconteceu magia. M-A-G-I-A-! Qualquer vestígio de mau feitio que estivesse alojado no meu corpo, dissipou-se e deu lugar a uma boa disposição e alegria que ainda cá estão hoje, passadas algumas horas. Acho que até adormeci a sorrir.
O concerto a que assisti ontem foi muito mais do que um espetáculo musical. Foi um momento de celebração, de exorcizar todos os males e dores para deixar que a alegria de viver, de cantar a dançar nos consuma. O que me maravilhou realmente não foram as vozes dos elementos do Harlem Gospel Choir, embora sejam algo que se aproxima do divino. Foi a sua alegria, a liberdade com que cantavam e dançavam, a sensação de estarem vivos e a aproveitar cada milésimo de segundo de vida. Como invejo essa forma de estar na vida!
Ainda que, a dado momento, tenha sentido que estava numa missa gospel, adorei cada segundo. Não me considero crente e não sou, tampouco, religiosa, mas adoro ser testemunha da fé e da crença das pessoas que o são. Acho lindo a forma como as pessoas conseguem acreditar que existe algo maior, divino, que nos protege, que nos guia e nos recebe no final desta jornada. Adoraria acreditar no mesmo, não duvido que me traria uma imensidão de paz de espírito.
O espetáculo de ontem foi também de fé. A única diferença é que enquanto para uns a fé se dirige a deus ou a jesus, a minha dirige-se à vida e aos seres humanos, no potencial que cada um de nós tem para fazer o bem, a si e ao próximo. Ontem senti-me abraçada por essa fé, senti conforto naquela sala cheia de pessoas a bater palmas, a cantar, a dançar, a vibrar com a música e a desfrutar da vida.
Foi memorável e confirmou o que eu já sabia: a música é a magia que contagia todos, feiticeiros e enfeitiçados.

02
Dez19

welcome december!

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Chegamos a dezembro e eu ainda não consegui perceber como é que o tempo passou tão rápido. Acho que, de ano para ano, tenho sentido cada vez mais premente a velocidade do tempo e de como os planos de amanhã se transformam, em poucos segundos, nas memórias de ontem. 

Aqui estamos nós, início do mês do dezembro, o mês do calendário que tem 31 dias, mas que parece mais curto do que qualquer outro. O mês em que os dias voam tal é a azáfama e correria desenfreada, saltitando entre jantares de natal, amigos secretos, aventuras para encontrar as prendas ideais para as pessoas especiais, as decorações natalícias, os chocolates, as iluminações e todo um conjunto numeroso de coisas que fazem parte desta época mágica do ano. 

Dezembro passa num ápice, mas é um mês de reencontros, de agradecer (embora todos os meses e, essencialmente, todos os dias o sejam), de juntar os que nos são próximos e queridos, de fazer balanços, de refletir acerca do que conquistamos e do que queremos ainda conquistar, de acender a lareira e desfrutar do calor e aconchego do lar, de esquecer todos os dias em que nos privamos de qualquer coisa que seja e saborear a vida. Sim, acima de tudo, isto: saborear a vida. Aproveitar o milagre que é estar vivo e fazer tudo com tempo e calma, dando atenção ao que e aos que rodeiam, parando para podermos recomeçar com força, foco e vigor. 

 

 

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