1. Uma memória feliz
Encontrei este desafio no Pinterest e estou decidida a dedicar-me a ele durante os próximos 30 dias. Desde que criei o blog, sinto cada vez mais vontade de escrever e à medida que vou partilhando os meus pensamentos, surgem-me cada vez mais ideias e temas para serem libertados cá para fora. Sempre gostei de escrever. Hoje, mais do que por gosto, escrevo pela necessidade de me expressar e de organizar as várias gavetas da minha cabeça, colocando as coisas nos devidos sítios e ordem. Quem quiser, junte-se a mim neste desafio, carreguem no link para conhecerem as regras e deliciem-se escrevendo :)

1. Uma memória feliz
A casa da avó sempre foi mágica. Eu adorava dormir com ela e ainda hoje recordo aqueles serões como as noites mais felizes da minha vida. Tudo na avó gritava conforto e aconchego. Desde a comida que comprava e cozinhava especialmente para mim, com o cuidado de ser sempre o meu prato favorito, que, à época, consistia num delicioso bife cheio de batatas fritas e ovo estrelado, até à permissão para tomar longos banhos de espuma, mesmo que o chão da casa de banho ficasse inundado até à altura da maçaneta da porta. Já comi, desde então, tantos bifes com batatas fritas e ovo estrelado; já tomei tantos banhos de espuma; mas em nenhuma da vezes fui tão feliz como quando o fazia na casa da avó. Naqueles dias, estes pequenos gestos eram autênticos luxos; eram fugas à rotina e escapadelas para a terra dos mimos.
Mas o que eu mais gostava em dormir na casa da avó era precisamente isso: dormir. A cama da avó tinha feitiços. Era muito grande, mas nós as duas conseguíamos sempre encontrar as nossas mãos e entrelaça-las uma na outra durante a noite; quando mergulhávamos nos lençóis, não havia qualquer choque térmico, porque estes estavam sempre quentes e fofos (vim a saber, mais tarde, que os super poderes eram um cobertor elétrico e uma botija de água quente); quando fechava os meus pequenos olhos, pedia à avó para me contar a história de jesus e, quando menos esperava, já tinha aterrado na terra dos sonhos.
A maior magia da avó era fazer sentir-me protegida. Todas as noites na casa da avó eram mágicas, porque a avó colocava sempre o mesmo ingrediente em tudo o que fazia: amor. Um amor tão grande, tão terno, tão forte que me fazia esquecer do medo do escuro e da noite. A avó era o meu escudo protetor, que me abraçava e protegia de todos os males.
Passaram-se 20 anos e esta continua a ser uma das memórias mais felizes da minha vida. O álbum de recordações da minha infância está cheio de momentos bons e alegres; mas as noites na casa da avó continuam a ocupar um espaço especial no meu coração. Porque nelas existia tanto amor e, por causa delas, também eu aprendi o significado de amar.
