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the old soul girl

the old soul girl

16
Nov20

minha pequenina

girl

Já tentei escrever antes, mas não senti que os meus textos merecessem ver a luz da publicação e, assim, guardei-os na gaveta dos rascunhos, esse lugar espaçoso onde cabem todas as minhas ideias e emoções no seu estado mais bruto.
Hoje faz um mês que me despedi da minha amiga de quatro patinhas que, sem qualquer dúvida, significou mais para mim do que muita gente que por cá anda e alguma até do meu sangue. Faz um mês que tivemos de tomar a decisão de a deixar ir, de terminar com o seu sofrimento e lhe dar o descanso que ela tanto merecia. Mas, ainda que saibamos que foi a melhor decisão, isso não a tornou mais fácil. Pelo contrário, quando somos nós os autores das nossas escolhas, temos de enfrentar a realidade de que fomos nós que assim decidimos. Não foi o destino, a sorte ou o azar. Fomos nós e somente nós.
Foi um dia muito difícil, mas também era insuportável olhar para ela e ver como se arrastava, a dificuldade com que se erguia, a falta de apetite, a apatia, a perda de todas as funções e, no fim, a perda da sua personalidade enérgica. Só não se perdeu a sua mimalhice, porque era a cadela mais mimada e faminta de mimos que já conheci. Apesar de todas as dores, ainda era capaz de olhar para nós, tocar-nos com a sua patinha, como quem implora mais uma festinha pela cabeça, mais uma massagem pelo lombo.
Naquela sexta-feira, chorei até não conseguir mais. Doeu-me tudo e quando fechava os olhos, só conseguia ver aqueles dois olhinhos castanhos, ternurentos, cravados em mim. Sempre que pensava que aquela pequenina já cá não estava, que já só vivia na nossa memória, que se tinha esfumado num sopro, doía-me o coração e a alma.
Num rascunho escrito a 18/10, eu escrevia:

"Sempre que acontece alguma coisa que mexe comigo, penso "preciso de escrever sobre isto". Nem sempre o faço, mas sinto a vontade, não só para eternizar momentos, mas também para organizar o que vai dentro da minha cabeça. Nestes últimos tempos não tenho tido a maior disponibilidade do mundo para me sentar e dedicar-me a escrever, o que não significa que tenha pouca coisa em mente para organizar.
Este ano está a ser difícil para todos nós. É inegável. Estamos a viver uma situação digna de um guião de um filme de ficção científica ou terror, que jamais imaginamos ser possível. Ainda assim, e já após 7 meses de pandemia, nunca dei comigo a dizer "que ano horrível". Embora, como toda a gente, me sinta assustada, frustrada e cansada desta situação, nunca dei este ano como um ano perdido, que riscaria do meu calendário. Não só porque esta situação completamente atípica e nova me tem ensinado muito acerca da nossa forma de viver e estar, mas também porque este ano trouxe-me coisas positivas. No entanto, na semana passada vivi um acontecimento que me fará para sempre olhar para 2020 como um ano triste. 
Porque desde a semana passada, 2020 será sempre relembrado, entre outras memórias, como o ano em que me despedi da minha cadelinha, um dos seres mais puros que já conheci. Há pessoas que não compreendem os animais como algo mais que meros seres vivos, mas para mim, os animais valem tanto ou mais que algumas pessoas. Como a minha cadela, por exemplo, de quem gosto imensamente mais do que muitos seres humanos, alguns até da minha família. A minha cadela era da família, era do núcleo duro e forte, onde só entra quem é realmente especial e importante. 
Estava doente, muito e gravemente doente. Sei que a melhor decisão a tomar foi deixá-la partir e reencontrar o sossego e a paz que já não tinha há muito tempo. Eu sei disso tudo, acreditem. Mas por maior que seja a racionalidade e a lógica desse argumento, nada disso me consolou naquele dia em que me despedi dela para a deixar partir e nunca mais a tornar a ver. Foi um dos dias mais tristes da minha vida e uma das maiores perdas que já vivi. Gostava de conseguir escrever algo mais profundo, até mais bonito, acerca dela que, sem dúvida alguma, o merece, mas neste momento não me sinto capaz de o fazer. Porque quando me lembro que ela já não existe, que nunca mais a voltarei a ver, dói-me tudo. Toda e qualquer parte do meu corpo se contrai com a dor, quase sinto o meu coração a quebrar-se em mil estilhaços. Por isso, por mais que a escrita seja terapêutica para mim, ainda não consigo escrever tudo o que vai dentro de mim sobre este assunto. Porque tudo me faz confusão, a aceitação e a negação misturam-se, tenho flashes a todo o momento da última vez que a vi, a ferida ainda está aberta e cheia de sangue a jorrar por todo o lado."

Hoje, passado um mês, posso afirmar que aquele momento de despedida me trouxe uma paz e conforto que, no meio da tempestade, não consegui sentir, mas que, com o passar dos dias, encontrei. A oportunidade de nos despedirmos, de dizermos adeus, de olharmos, sentirmos, absorvermos uma pessoa, um animal, um lugar pela última vez é uma dádiva. Eu tive a oportunidade de me despedir da minha amiguinha, de a mimar até ser o momento final, de lhe dizer o quanto a amava e o quanto ela era incrível, espetacular e a melhor cadela que o mundo já teve oportunidade de conhecer. Hoje, quando penso nela, não sou invadida pelas imagens da despedida, mas antes por todos os momentos bons e maravilhosos que ela me proporcionou. Lembro-me da sua energia inesgotável, da forma como parecia que via Deus sempre que me via pegar na trela, porque sabia que ia passear, o modo como me perseguia pela casa, pois sabia que eu sou fácil e nunca era capaz de lhe negar miminhos. Lembro-me de como os almoços de domingo eram uma alegria para ela, com tanta gente à volta da mesa, sempre a dar-lhe comida. Até cheguei a descascar-lhe camarões! Lembro-me de como se empoleirava para comer os restos de gelado que já não conseguíamos comer e como os seus bigodes ficavam brancos, era um prazer indescritível. Lembro-me das suas orelhinhas levantadas quando nos ouvia chegar a casa e como corria ao nosso encontro. Ainda a procuro em todos os cantos da casa e do jardim, convencendo-me cada vez mais que a casa sempre foi mais dela do que nossa. Sinto saudades dela, nas mais pequenas coisas, mas o coração já não me dói com o desespero de a termos perdido. Ela faz parte de mim, sempre fará, e enquanto eu estiver viva, ela vive comigo e dentro de mim. 

06
Out20

happy birthday

girl

Hoje este blog faz um ano de existência. Não acredito que já se passou um ano e que, mesmo com algumas irregularidades e inconsistências, fui capaz de escrever pelo menos uma vez nestes doze meses. Por acaso (ou não), este fim de semana prolongado andei a reler os meus cadernos/diários e maravilhei-me com os meus registos. É engraçado ler acerca de coisas que já aconteceram há muito tempo e ver quais eram os meus pensamentos e a minha visão naquela época e comparar com a atualidade. Foi também doloroso confrontar-me com algumas passagens, sobretudo aquelas que contrastam muito com a pessoa em que me transformei e com a realidade em que vivo.
Percebi que me tornei uma pessoa mais fria, mais desligada e distante das pessoas. Tornei-me menos inocente, mais densa e ainda mais complexa. Amadureci e, se num texto escrevia acerca de sentir que vivia numa redoma, numa espécie de bolha protegida que não sabia quando ia arrebentar, hoje sei esse dia com precisão e conheço a realidade dentro e fora da tal bolha. Ao mesmo tempo, há muito de mim que se manteve intacto. Continuo a ser uma pessoa agradecida, naturalmente feliz pelo simples facto de existir e acordar mais um dia para esta aventura. Permaneço com as mesmas questões e desafios, acabando sempre com a mesma assinatura de esperança e positividade.
E, se há algo que nunca se altera, é o facto de encontrar na escrita a minha terapia. É no meio das palavras que me expresso e me encontro, que me organizo e recentro. Sempre assim foi, creio que sempre assim será. Este blog confirma-o.
A todos vocês que me leem, que me deixam as vossas palavras, o meu enorme obrigada. São vocês que acrescentam vida a este caderno digital.

28
Set20

Who looks outside, dreams; who looks inside, awakes.

girl

Na noite passada, tive um sonho em que tu aparecias. O sonho, em si, foi uma confusão. Literalmente uma confusão, que me envolvia a mim, dois pretendentes, uma escolha, um abandonado no altar. Hilariante, eu sei. Mas tu estavas lá, no momento em que tomei a minha decisão. Encostei a minha cabeça ao teu ombro, suspirei e tu disseste-me que estava tudo bem, que podia sempre contar contigo. Senti-me protegida e senti que estava tudo ali. A nossa amizade de anos, a nossa cumplicidade, a confiança. E, quando acordei, senti saudades tuas e nossas. Senti saudades da nossa infância e adolescência, em que não havia um dia em que não estivéssemos juntas ou que não falássemos. Lembro-me como se fosse hoje do dia em que mudaste de casa e passaste a ser minha vizinha. Parecia algo demasiado bom para ser verdade. Iamos sempre juntas para a escola, ainda somos do tempo em que usávamos o telefone fixo, de casa, para nos perdermos em conversas de horas. A minha mãe questionava o que tanto tínhamos para dizer uma à outra quando passávamos o dia juntas. Mas a verdade é que tínhamos sempre assunto. Crescemos juntas, demos os primeiros passos em conjunto, contigo sempre mais à frente, mas nunca deixaste de esperar por mim e celebrar as minhas conquistas, por mais que fossem tardias. Naquela noite invernosa, quando comecei a namorar com o meu amor, foste tu quem acalmou a minha ansiedade. Fizemos uma pijama party, vimos (pela centésima vez) o Into the Wild e, quando amanheceu, bastou-me atravessar a rua e estava em casa.
Sinto que com a ida para a faculdade, nos afastamos. Seguimos caminhos diferentes, a vida intrometeu-se, mas admito que não nos priorizei, porque sempre soube que eras algo garantido. Serias sempre a minha melhor amiga e eu a tua. Conhecemos pessoas, fizemos amizades, vivemos experiências sem a presença uma da outra, mas aquele sentimento de total conforto e confiança que sinto contigo nunca se ofuscou.
Hoje, a pensar no sonho que tive, lá estavas tu. Gostei daquela proteção e da forma como me confortaste. Lembrei-me de como ouvias sempre os meus dramas e medos, éramos totais confidentes. Nunca tive medo nem vergonha de te dizer nada, até hoje. Gostava de te dizer o que se passa cá em casa e acho que mereces sabê-lo. Afinal, estas pessoas não te são estranhas e também cresceste com elas. Gostava de te dizer tudo, porque mereces que o faça e eu preciso do teu conforto. Aquele que nego, que digo não precisar, que se esconde atrás de um "está tudo bem".
Sempre nos chamamos de "maninha", porque é isso que sempre sentimos que éramos: irmãs. E, precisamente por isso, gostava de ter a coragem de te contar o que se passa deste lado da família. Eu creio que já sabes alguns detalhes, mas quero que saibas por mim. Quero ser eu a explicar-te tudo. Não sei quando nem como o vou fazer, mas sinto que é algo que está pendente entre nós. E se há coisa que este sonho mirabolante me mostrou é que sinto saudades tuas e que te quero na minha vida, como sempre tiveste. 

24
Set20

#16 Self-care journal: 5 most beautiful moments you've ever witnessed

girl

Surpreendentemente, não foi difícil pegar num punho de momentos bonitos que já tive oportunidade de testemunhar. Claro que existem muitos, alguns até nem tão felizes, mas incrivelmente belos, no entanto, estes foram os cincos que surgiram mais rapidamente na minha cabeça. Neste desafio específico, gostava de vos ler e conhecer momentos bonitos que tenham experienciado. Quais foram? O que fez deles especiais? O que sentiram? O que é que isso diz acerca de vocês? Partilhem comigo enquanto eu vos deixo cinco dos meus.

1. Basílica de São Pedro

Foi o primeiro momento que me veio à mente quando li este desafio. Regressei de imediato às férias de maio de 2015, aquela longa semana, em que muitos estavam a viver a queima das fitas enquanto eu e o meu amor partimos para Roma, para viver e sentir na pele o verdadeiro significado de dolce far niente. No dia em que fomos ao Vaticano, estava um calor abrasador e eu, que lido mal com temperaturas acima dos 25º/27º, sentia-me sem grande paciência de ficar horas na fila, debaixo de sol, para entrar na basílica de S. Pedro. Mas o meu namorado fincou o pé e disse que valeria a pena. Não gosto de admitir, mas o rapaz tem (quase) sempre razão e quando entrei na basílica, senti-me esmagada pela beleza daquele lugar e pela fé que ali se sentia. Eu, que não me considero crente, não consigo não me emocionar quando me vejo rodeada pela fé e esperança dos outros, é algo que me comove e me faz sentir que, independentemente do que cada um de nós acredita, estamos todos juntos nesta aventura e, por vezes angústia, que é a vida. Ora, na basílica existe uma espécie de sala à parte, que é uma parte da igreja dedicada à oração. Está separada por umas cortinas e se queremos entrar nesse espaço, devemos manter-nos em silêncio como sinal de respeito por quem está ali a orar. Assim que ultrapassei as cortinas e entrei naquele espaço, fui invadida por um silêncio aconchegante, oposto ao som, barulho e burburinho que se ouvia fora, na basílica. Sentei-me num dos bancos e olhei em meu redor, quando o vi e não fui capaz de desviar o olhar. Num outro banco, ajoelhado, estava um senhor, com as mãos coladas uma à outra, em posição de reza, a olhar fixamente o altar. Enquanto orava, compenetrado na figura sagrada, chorava e sorria em simultâneo. Senti-o em paz. Como se encontrasse ali um conforto e uma tranquilidade perdidas algures. Nunca mais me esqueci daquele rosto, daquele momento e daquela sensação. Tanta gente que ali estava, focada em se fotografar a si e ao espaço, e aquele senhor parecia alheio a tudo e ali estava ele, a orar, quem sabe a agradecer, quem sabe a falar com quem já cá não está, como se estivesse envolvido numa bolha impenetrável.

 

2. Concerto de Jazz

Muito escrevi sobre este momento aqui. E foi tão incrível, tão maravilhoso, tão intenso, tão inesquecível, que aquela hora e meia de concerto será sempre um dos momentos mais bonitos que vivi e testemunhei. Porque não me consigo esquecer daqueles músicos entregues a si mesmos, alheios ao público, focados apenas no seu instrumento e na melodia, a transpirar música e a entregarem-se como se a vida coubesse toda ali, naquele momento, naquele palco. Ouvir música é uma das experiências pela qual vale a pena viver, mas ter a oportunidade de ver a conceção da música é sublime. 

 

3. Concerto de gospel 

Mais um concerto, é verdade, e deixo já o disclaimer que não ficarei por aqui. Uma atmosfera completamente diferente da que vivi no concerto de Jazz, mas igualmente incrível. Escrevi também sobre este momento e torno a fazê-lo porque aquelas duas horas de concerto foram das mais alegres e divertidas que já vivi. Quando olhei para a sala onde estava só via todas as pessoas, de uma ponta da sala à outra, de pé, a dançar, a cantar bem alto, despidas de vergonhas e entregues à música. O grupo de gospel rendido ao público e o público rendido a eles. Foi um momento de união, como se cada alminha ali presente estivesse alinhada e unida pela alegria que é viver e que é celebrar a vida. No nosso quotidiano, creio que agimos todos em modo automático, porque as exigências são tantas que não há tempo para parar, respirar e apreciar onde estamos, com quem estamos ou até quem somos. Naquele momento, senti que estávamos todos presentes, a viver apenas aquele momento e, por isso, senti-me tão viva. 

 

4. Consolo de um coração partido

Sei que escrevo muitas vezes sobre a minha família e nem sempre são as palavras mais felizes e apaixonantes que lhes dedico. E também sei que, embora não sejamos mais aquela família de quatro, unida e pronta para o que der e vier, teremos sempre essas memórias de quando éramos felizes. Serão sempre nossas e uma das mais especiais, que me comoveu muitíssimo, foi quando vi o meu pai consolar a minha irmã, após esta sofrer o seu grande primeiro desgosto de amor. A nossa união era de tal forma que naquele dia não se partiu um só coração, mas sim quatro. E foi ternurento ver o meu pai abraçá-la, conforta-la com as palavras mais doces, ternas e sinceras, a assegurar-lhe de que era linda, especial, perfeita e que alguém iria dar-lhe todo o valor que ela possui. É que o meu pai, embora tenha falhado redondamente como marido, foi, é e será sempre um super pai. E aquela imagem deles os dois juntos será sempre comovente. 

 

5. Concerto de orquestra de música clássica

De cinco momentos, três deles são relativos a música, eu sei, é pouca variedade, mas não posso evitar que sejam estes os momentos mais felizes que já presenciei. Este último é o mais recente e foi uma autêntica catarse emocional para mim. Chorei desde a primeira nota tocada até à última. Encharquei a minha máscara, lavei a minha alma naquela hora e meia e tudo pela beleza e pela gratidão daquele momento. Observar uma orquestra a tocar é magistral e digno do adjetivo "perfeito". A sincronia, as melodias e harmonias, a forma como o todo abraça e se estende para além da soma das partes, a coordenação sentida e rigorosa do maestro, que vibra com cada corda, cada sopro e percussão. Olhava e escutava os músicos e sentia que era como estar a vislumbrar uma obra de arte em movimento e composição. As emoções não couberam dentro de mim, acabando por transbordar. Novamente, a sensação de estar viva, de me sentir maravilhada e grata, de estar sintonizada com aquele momento. 

23
Set20

#15 Self-care Journal: List 10 things you love about your body.

girl

Estive ausente, o desafio dos 100 ficou em stand-by, mas foi pelo melhor motivo que pode existir: fui de férias. Ainda pensei em escrever, senti até vontade de o fazer, mas confesso que a vontade de pegar no computador ultrapassou a de escrever e, por isso, gozei as férias bem longe de ecrãs e monitores. Muito há para escrever e muito será escrito, a seu tempo, mas por agora dedico-me a enumerar as 10 coisas que adoro no meu corpo. Estou em crer que este desafio entrou nas listas temáticas de 10 coisas e que destas não me livrarei tão cedo. 

Quero esclarecer, antes de iniciar a minha lista, que os itens que se seguem são relativos ao meu corpo no sentido mais amplo que possa existir. Não pensei escrever apenas acerca das partes do meu corpo de que mais gosto, porque eu adoro o meu corpo como um todo e grande parte desta lista é constituída por funções que o meu corpo é capaz de fazer e que me permitem desfrutar em pleno da vida. Posto isto, vamos nessa:

1. Respira

Sim, enquanto respirar, o meu corpo permite-me manter-me viva e na vida. Adoro respirar fundo, sentir o ar invadir-me o corpo de uma ponta à outra, crescendo para, depois, esvaziar lentamente. Ar é vida, por isso, a primeira coisa que adoro no meu corpo é a sua capacidade de respirar (e bem).

 

2. Movimento

O meu corpo é capaz de se mover, seja andar, correr ou saltar. Leva-me a qualquer lado, é o veículo de transporte mais luxuoso em que já andei. Adoro como me proporciona conhecer o mundo, como me permite gastar energia. O que mais gosto quando estou a fazer exercício físico é a sensação de movimento, de sentir o corpo esticar, dobrar, saltar. 

 

3. Até à data, poucas paragens para manutenção

*isola* Até aos dias de hoje, o meu corpo comporta-se maravilhosamente. Tem um ou outro momento de falha técnica, o que é naturalíssimo de uma máquina que trabalha 24/7, mas nunca me deixou ficar mal nem em apertos. E isso é, sem dúvida alguma, algo merecedor de adoração. 

 

4. Permite-me experienciar os 5 sentidos (embora uns mais apurados do que outros)

Recentemente fiz uma meditação da Sarah Blondin, de quem já falei aqui, na qual fui guiada a focar-me na vida sagrada que vive dentro de mim (e na verdade, de todos nós). A meditação começou por me guiar a colocar as mãos nos olhos e agradecer pelo dom sagrado que é a visão. Depois, nas orelhas, a audição. Na garganta, a capacidade de fala. No coração, a vida a pulsar. Os sentidos permitem-nos experienciar o mundo, desfruta-lo, saborea-lo. E tal só é possível se tivermos um equipamento eficaz. 

 

5. Aguenta com as minhas crises existenciais e ataques de nervos

Nem sempre sou a melhor amiga do meu corpo. Nem sempre lhe dou o melhor combustível, enchendo-me (algumas vezes) de guloseimas e comidas não tão saudáveis. Nem sempre lhe dou o descanso que merece, quando me deito tarde e acordo cedo, quando faço scroll infinito e extermino qualquer produção de melatonina. Nem sempre lhe dou o movimento que precisa, sobretudo naquelas horas sedentárias de trabalho em que até ir à casa de banho parece uma tortura. Nem sempre respiro fundo e o preencho de calma, quando me entrego a pensamentos negativos e cenários catastróficos que só existem na minha mente, é certo, mas que o meu corpo não é capaz de distinguir se é real ou ficção e, como tal, reage como se se tratasse de algo realmente sério e perigoso. Mas, mesmo assim, o meu companheiro de viagem aguenta todos estes embates. Quando reclama, é quando já está bem perto do seu limite. E, muitas vezes, nem assim o ouço e ele, coitado, é obrigado a por o pé no travão com decisão e assertividade, para me forçar a ouvir as suas queixas. Ele aguenta o que pode e não pode e ainda me avisa quando os níveis de energia estão a entrar na reserva.

 

6. Sorri o tempo todo

Gosto de sorrir e gosto de sorrisos. Acho que já escrevi mais vezes sobre sorrisos do que outro assunto qualquer. Por isso, claro que era item obrigatório nesta lista. Se há coisa em mim que adoro, é o sorriso. 

 

7. Pés

Ah, pés! Não conheço quase ninguém que goste dos seus, mas eu adoro os meus. Pequeninos, gordinhos e perfeitinhos. Levam-me a todo o lado e permitem-me manter-me bem assente na terra. 

 

8. Maminhas (sim, inhas)

Esta foi, durante algum tempo, uma relação de ódio e negação. Muito soutien push-up habitava na minha gaveta. Não gostava das maminhas, pensava que tinha tão pouca sorte! Deus dá tanto a umas e tão pouco a outras! A verdade é que hoje adoro que sejam assim: inhas. Mais do que aceitar, passei mesmo a gostar delas. Só vejo vantagens: posso dormir de barriga para baixo sem qualquer problema, dores nas costas não sei o que são, qualquer soutien de 5€ serve para as manter no sítio, etc. E, mais importante, grandes ou pequenas, querem-se saudáveis. Essa é a maior dádiva.

 

9. Cabelo 

Gosto do meu cabelo, acho-o não só bonito, como uma extensão da minha personalidade, um elemento que compõe na perfeição o quadro da minha pessoa. É cheio de energia e dinâmica, ensinou-me que tem vontade própria e que na vida não podemos controlar tudo!

 

10. É o meu

É o que tenho e, por isso, é com ele que tenho de viver. Gosto do meu corpo, mesmo com as suas imperfeições inevitáveis e associadas. Gosto de olhar para ele e sentir-me bem, em casa. Porque é isso que ele é: a minha casa. Onde estou, ele está. Por isso, há que aceitar e aprender a gostar, sobretudo das coisas menos perfeitas porque são essas, tantas vezes, que nos tornam únicos. 

31
Ago20

#14 Self-care Journal: Brainstorm 10 new exciting ideas you might want to try

girl

1. Aprender a tocar um instrumento (saxofone)
2. Apreder uma língua nova (italiano)
3. Fazer parte de uma associação (por exemplo, clube do livro, voluntariado)
4. Fazer uma viagem intercontinental
5. Ter aulas de dança
6. Fazer uma pós-graduação
7. Fazer uma road-trip (com duração de, pelo menos, 1 mês)
8. Fazer um retiro espiritual
9. Ir a um concerto de música clássica
10. Trabalhar por conta própria

31
Ago20

o teu dia

girl

Avó, hoje farias anos. Onde quer que estejas e passe o tempo que passar, hoje é e sempre será o teu dia.

Tenho saudades tuas. Já aceitei a tua perda, já a chorei e já a encaixei no meu coração. No entanto, nunca deixarei de ter saudades tuas. Far-me-ás sempre falta e o tempo vai passando e vou pensando em ti, em tudo aquilo que já vivemos desde que partiste, tudo aquilo que já se passou. É uma das coisas que mais me faz confusão na perda. Continuamos a viver, o mundo continua a girar, o tempo não para, mas tu já cá não estás. É estranho tudo prosseguir e avançar e tu não fazeres parte.
Hoje é o teu aniversário e gosto de te recordar por tudo o que foste em vida. E que grande vida, avó! Podia passar horas a ouvir-te falar dos teus tempos de miúda, de como era a vida nesses dias, dos momentos de adversidade e prova que atravessaste. Contavas-me essas histórias e eu, ouvindo-te, sentia que as tinha vivido. Imaginava como teriam sido os teus pais, que nunca conheci; que menina e jovem foste; como te apaixonaste; como deste à luz um mão de filhos; como sempre foste uma mulher de garra e coragem. Penso não existir nada que não fosses capaz de alcançar, avó. Pelo menos, sempre foi assim que olhei para ti. Como uma força inquebrável, uma lutadora que não se verga nem desiste face a nenhuma batalha até a guerra se dar por terminada.
Eras sempre mais dos outros do que de ti mesma. É uma característica que corre na nossa família, metade de nós nascemos para ser cuidadores e direcionar as nossas forças e empenhos para os outros. Tu eras assim. Passarias fome se isso assegurasse que os teus teriam comida na mesa. Abdicarias de todo e qualquer conforto por nós todos. E assim o fizeste, muitas vezes, repetidamente.
Sabes, avó, sinto uma pena imensa de te ter perdido tão cedo. Não deveria ter sido assim. Há conquistas, momentos bons e maus, em que eu precisava de ti, aqui, ao meu lado. Em que, acima de tudo, lamento tanto que não estejas cá para ver, sentir, experienciar. É como se faltasse sempre algo e falta. Faltas tu.
Hoje farias anos, avó. Eu telefonar-te-ia e até iria ao teu encontro para te dar um beijo e um abraço apertado. Lembraste daqueles abraços em que me apertavas com força e sentias como o meu corpo se transformava? Nos teus braços eu passei de menina a mulher e tu fazias questão de me dizer. Eu ria-me e dizia-te que tinha mais de ti do que poderias imaginar. Ficaríamos assim, num abraço, contigo a agradecer todo o amor e eu sem jeito e sem forma de te explicar que tu mereces o mundo. Porque mereces, avó. Sempre o mereceste. Deste-me sempre tudo. Se fui uma criança feliz, a ti também te devo. Se hoje sou quem sou, tu também és responsável.
Avó, avó ... quando partiste, as minhas palavras foram contigo. Não me lembro do que te escrevi, mas sei que o fiz com urgência, sei que precisava que levasses contigo tudo aquilo que não tive tempo de te dizer. Avó, conforta-me saber que quando partiste, não estavas só. Estavas rodeada de amor. Nesse dia, ainda antes de saber que tinhas partido, falei de ti. Quando me preparava para entrar em casa, soube, antes de saber, que já não estavas cá. Não encontro lógica para explicar esta sensação, nem me faz falta. Chama-lhe intuição, ligação, o que preferires. Eu soube, antes de saber, que já não estavas connosco. E, mesmo preparada para esse desfecho, doeu como se não existisse preparação alguma no mundo capaz de nos fortalecer para um momento assim.
Parece que foi ontem, parece que foi há muito tempo. As saudades, essas malditas, conserva-as o tempo. E comigo vive a promessa de que enquanto viveres dentro de mim, e sempre viverás, és eterna. Por isso, parabéns avó. 

28
Ago20

todas as coisas maravilhosas #21

girl

Hoje vou deixar o desafio de lado e vou apenas escrever o que me vai na alma. Uma das coisas que gosto de fazer é perder-me a ler blogs. Nem sempre comento, mas leio muitos posts de variados blogs deste mundo sapo. Gosto de ir ao separador "últimos posts" e explorar. Acabo sempre por ir ter a bom porto e descobrir alguém cujas palavras me envolvem, emocionam ou inspiram. Hoje aconteceu novamente. Dei por mim a ler o blog do início ao fim e a vontade de comentar foi mais forte. E fiquei a pensar naquela pessoa, nas suas palavras, na sua realidade que pude conhecer a partir da sua escrita. Fiquei a pensar na forma como, muitas vezes, leio os vossos textos e gostaria apenas de vos dar um abraço, nos momentos difíceis, ou de me rir com vocês, nos momentos alegres e de boa disposição. Nem sempre consigo encontrar as palavras acertadas quando comento e, por isso mesmo, muitas vezes desisto de deixar qualquer comentário. Porque o que eu queria mesmo era expressar-vos o que vai dentro de mim quando vos leio. E é tanto e é tão difícil fazê-lo. 

Isso deixou-me a pensar como esta comunidade, que apenas se conhece pelas palavras, se consegue entre-ajudar e saber tanto ou mais do que pessoas com quem convivemos todos os dias, frente a frente, olhos nos olhos. É maravilhoso como um simples comentário pode aligeirar uma dor, tornar um fardo um bocadinho mais suportável ou até resolver um problema identificado. Depositamos nas nossas palavras tudo o que trazemos dentro de nós e que não conseguimos, muitas vezes, dizer a quem nos rodeia. E somos acolhidos quase sempre que o fazemos.

Fico maravilhada com este universo. Já li e, por isso, conheci por aqui tantas pessoas de bem, fortes, guerreiras, com histórias de vida inspiradoras, com o coração e a cabeça no sítio certo. É, sem qualquer dúvida, uma coisa maravilhosa. 

27
Ago20

#13 Self-care Journal: Write a list of your top 10 most exciting moments in your life.

girl

Ando a procrastinar esta resposta, porque acho muito difícil escrever sobre os dez momentos mais entusiasmantes da minha vida. Por um lado, parece-me que não existe nada digno de entrar neste top 10, o que me faz sentir mesmo desinteressante. Por outro, acho que existem tantos momentos que já vivi com euforia e excitação que não sei como escolher apenas 10. Ando a arrastar esta lista, todos os dias tento acrescentar mais um momento que me marcou pela forma entusiástica como o vivi, mas confesso-vos que é um exercício exigente. Tentem fazer apenas este desafio dos 100 que são propostos e depois digam-me o que acharam. 

Ora bem, vamos lá falar dos dez momentos mais entusiasmantes da minha vidinha, que já conta com um quarto de século:

1. Quando me apaixonei pelo meu amor
Não foi um momento, é certo, foram vários. Apaixonei-me sem me aperceber, deixei-me levar e nunca esquecerei o dia em tomei consciência da dimensão dos meus sentimentos. Foi como se a terra estremecesse, mas apenas no metro quadrado que eu ocupava; somente eu senti os efeitos avassaladores daquela queda na realidade. Passou-se uma década e ainda sorrio quando ouço a For Once in My Life do Stevie Wonder. Naquele dia, com um sorriso do tamanho do mundo, foi isso mesmo que senti: for once in my life I have someone who needs me, (...) for once unafraid I can go where life leads me.

2. Sempre que viajamos juntos
Pensei referir a primeira vez que viajamos juntos, mas não seria justo, porque a verdade é que todas as viagens que fazemos, por muito curtas e singelas que sejam, têm entrada direta para o meu álbum de recordações favoritas de todo o sempre. Adoro quando nos perdemos num lugar novo, à descoberta, a absorver e partilhar tudo um com o outro. Quando éramos mais novos, sempre que embarcávamos numa viagem, eu sentia que te roubava do mundo e te tinha só para mim o tempo todo. Adoro descobrir tudo contigo, és e sempre serás o melhor companheiro de viagem. Mesmo nas viagens quotidianas para o trabalho e do trabalho para casa. Contigo, tudo é uma aventura. 

3. 10 de Julho de 2016 
Será sempre um dos momentos mais felizes que já vivi. Estava com os meus amigos, foi a euforia das euforias: Portugal sagra-se campeão europeu! Começamos todos aos saltos, aos abraços, saímos disparados para a rua festejar, a alegria não cabia dentro de nós. Foi daqueles momentos em que olhei em meu redor e senti que seria uma daquelas memórias épicas que irei contar aos meus (futuros) filhos. 

4. A faculdade
Eu sei que estou a ser a maior batoteira neste desafio, mas não consigo selecionar apenas um momento entusiasmante. Sobretudo no que diz respeito à minha experiência universitária. Não fiz parte da praxe, não fui a festas académicas, não tive a experiência que é habitualmente associada à faculdade. Mas fui imensamente feliz nos anos em que lá andei. Foi a oportunidade de viver sozinha pela primeira vez, a responsabilidade de estar por minha conta e ter, pela primeira vez, a liberdade de fazer as coisas à minha maneira; foi ter escolhido a área certa, mesmo tendo sido uma escolha completamente às cegas; foram os amigos que lá fiz, a família que construí e que trago comigo para toda a vida; foi, acima de tudo, a sensação de estar no sítio certo, no lugar onde pertencia. Foram anos de desafios, de aprendizagens, de sentir que o esforço e empenho, a somar à paixão, se refletiam nos resultados obtidos. Cresci muito naqueles cinco anos, conheci pessoas incríveis que me inspiraram a ser não só uma boa profissional, mas uma melhor pessoa. 

5. O dia em que passei no exame de condução
Eu fui para o exame de condução com a certeza de que iria chumbar. Era um dado adquirido. Apenas tinha um objetivo: não chumbar de imediato no centro de exames, ao deixar o carro ir abaixo três vezes seguidas. Eu estava tão certa que ia falhar, que acabei por passar. Lembro-me de que a certeza do falhanço me libertou do medo de realmente falhar. Então, como estava sem esse peso, aproveitei o momento e desfrutei, conduzi com prazer e gosto. Nesse dia percebi como o medo de falhar pode paralisar uma pessoa e a falta dele permite que o verdadeiro potencial se evidencie. Porque eu fui convicta de que era um chumbo imediato, o meu colega foi convencido que ia ensinar o engenheiro a conduzir. Ele estava nervoso porque sabia que tinha de fazer boa figura, tinha de fazer uma figura que correspondesse ao que realmente ele sabia conduzir. Já eu, que sabia que era péssima (ou achava que era), convenci-me de que já estava derrotada e vencida, não tinha nada a provar. Quando percebi que tinha passado, sem erros graves e perigosos, fiquei em êxtase. E acreditei, pela primeira vez, na sorte. Porque ainda demorei muito tempo a acreditar que não fora apenas sorte, mas também alguma competência da minha parte.

6. Concerto de Jazz com a minha mãe

Este aconteceu no ano passado, em pleno inverno, numa das salas de teatro mais bonitas do nosso país. Como companhia levei a minha mãe, que ia cheia de medo de achar o concerto entediante e ter de o suportar até ao fim. Eu ia com a certeza de que seria incrível e saí de lá dececionada, porque o concerto conseguiu ser ainda mais magnífico do que eu já suspeitava que seria. Quando me lembro daquele momento, arrepio-me pela forma como a minha memória se mantém intacta, preservando todas as emoções e sensações que experienciei. Foi um daqueles momentos na vida em que nos sentimos tão vivos e, simultaneamente, tão gratos por cá estarmos e podermos usufruir de algo tão belo como é a música. Além disso, foi um momento que partilhei com a minha mãe e fez-me tão feliz vê-la a desfrutar e a maravilhar-se. Foi uma felicidade multiplicada, que tornou tudo ainda mais perfeito.

7. A última grande viagem em família

Sim, fiquei doente, arrestei-me durante dias para acompanhar os meus pais e a minha irmã, mas foi a nossa última grande viagem enquanto família de quatro. Foi aquela viagem em que usufruímos sem olhar a nada, em que fomos só nós numa cidade completamente desconhecida e fomos nós mesmos, com tudo que isso inclui. Rimo-nos, vimos um dos espetáculos mais incríveis de sempre, passeamos, mimamo-nos. Na altura já me tinha parecido bom, mas agora ao olhar para trás ainda consigo dar mais valor àqueles dias que passamos os quatro. Depois dessas férias fizemos outras, mas nenhuma foi tão especial como essa. 

8. As noites passadas na casa da minha avó

Por mais lugares que descubra, concertos que assista e experiências que viva, vai sempre existir um cantinho especial, ao estilo catedrático, para as noites em que dormia na casa da minha avó. Eu sentia um entusiasmo tão grande sempre que me era permitido ir dormir com a minha avó, que cada vez que ia me sabia à primeira, mesmo já tendo ido centenas de vezes. Sentia-me sempre tão feliz de saber que ia dormir naquela cama gigante, quentinha, com a minha avó a abraçar-me; que ia comer a melhor das melhores das refeições, aquele bife tenrinho, cheio de batatas fritas e ovo estrelado por cima; que ia ver desenhos animados uns atrás dos outros, apenas sendo interrompida para lanchar aquelas torradinhas barradas a manteiga e o leite achocolatado, que era mais chocolate que leite; que ia tomar longos banhos de espuma; que ia acordar naquele quarto tão acolhedor e familiar, o da minha avó. Não, não há experiência que apague este entusiasmo inocente e infantil que eu sentia sempre que estava na casa da minha avó.  

9. Os passeios de canoa com a minha irmã e o meu pai

Era tão divertido enfiar-me numa canoa com o meu pai e a minha irmã, determinados a desbravar o rio e chegar o mais longe possível. A natureza, as gargalhadas, o cansaço do meu pai que, a dado momento, já remava pelos três, o encostar da canoa em terra para descansar e usufruir das praias desertas, o sol a queimar a pele com o contraste da água fresca e fria. Com o tempo fomos deixando de fazer coisas em conjunto e de passarmos tempo juntos. Apareceram os namorados e amigos, a escola, a falta de tempo e a distância acabou por se impor. Mas tenho saudades destes planos aventureiros que fazíamos. 

10. O Natal

Para fechar em grande, só poderia escrever acerca do Natal. Não de um em específico, mas de todos, os passados e aqueles que o futuro me reservar. O Natal é a minha época favorita do ano, é sinónimo de casa cheia, de partilha, de amor, de convívio, de contrastar o frio das rua com o calor da casa quente e acolhedora. Mesmo com a família desmembrada, o Natal não perde a sua magia e eu pareço sempre uma criança pequena, maravilhada com tudo. 

24
Ago20

#12 Self-care Journal: Describe the perfect smorgasbord.

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Eu não sei quanto a vocês, mas eu nunca tinha lido esta palavra na vida. Smorgasbord é uma refeição com vários pratos,  quentes e frios, servida ao estilo buffet.  Posto isto, coloquem a babete porque o que se segue são as iguarias que mais me deliciam. Não que me imagine a come-las todas à mesma refeição, mas se chegasse a um restaurante buffet eram estes os pratos que gostaria de encontrar à minha disposição:

  • Cogumelos com castanhas (sim, parece estranho, mas é a combinação mais genial que já provei na vida!)
  • Cogumelos, de diferentes variedades, salteados 
  • Cogumelos com queijo (acho que começam a perceber que tenho um certo fascínio por fungos)
  • Queijos (com preferência para mozarella buffala e gouda)
  • Vegetais (palitinhos de cenoura crua, tomate cherry - não me digam que o tomate é um fruto!, alface, pepino, pimentos vermelhos, espargos!)
  • Batata doce (em puré, frita, assada, de todos os modos!)
  • Batatas fritas (de pacote, sem ser esquisita!) 
  • Marisco
  • Crepes chineses (com legumes, de preferência)
  • Sushi (só não gosto daquelas peças com fruta - fruta é só depois da refeição e não na refeição)
  • Francesinha
  • Massa (imaginem aquelas massas italianas, divinais)
  • Risotto (de camarão, de coguemelos, ...)
  • Pizza (sem ananás, como é claro!)
  • Grelhados (costelinha, frango, picanha, ...)

E acho que já chega. Só escrever isto já me abriu o apetite.